quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rodoviária

Saiu do táxi, pagou, agradeceu ao motorista e foi caminhando em direção ao prédio. Olhou de cima a baixo e  também o cumprimentou silenciosamente  dizendo “aqui estou eu de novo, ainda lembra de mim?” entrando pela porta e se dirigindo ao elevador sem se perder como já tinha acontecido outras vezes. Foi para o segundo andar como sempre fazia, e estava tudo igual quando viu pela última vez, talvez por isso a melancolia em seu coração, se ao menos algo tivesse diferente quem sabe as lembranças não sairiam de onde estava para lhe assombrar.
Andou pelo saguão olhando para algum lugar no vazio imerso em seus pensamentos sem pressa e destino para chegar, apenas andava e tentava organizar na sua mente o que fazer pelo menos o suficiente para não parar e ficar apenas olhando em volta. Poderiam achar que estava louco ou quem sabe perdido, não que estivesse preocupado com alguém apenas não gostaria  de falar com ninguém.
Era como se não tivesse passado tanto tempo, ainda era capaz de relembrar pequenos detalhes como as palavras ditas, o sorriso, o aborrecimento ao comprar um lanche no quiosque, o jornal comprado para como sempre dizia retornar a sua rotina. Como estava feliz Deus, naquelas ocasiões, como era feliz. Parou em frente ao guichê e pediu uma passagem, só de ida e dessa vez não prometeu voltar como tanta outras vezes, em seu íntimo desejava apenas ir embora o mais rápido possível e pediu o horário mais próximo ao atendente. Até pagar despertava lembrança e lutou para não deixar cair uma lágrima enquanto pegava o papel para começar a preencher. Pegou a caneta, dessa vez não tinha ninguém para tirá-la da sua mão com carinho e escrever o seu nome, com mãos tremulas  assinou no lugar indicado e desejou que isso decidisse o fim daquela tristeza como se isso fosse possível.
Sentou na cadeira esperando chegar o seu horário de viagem e até isso fez relembrar momentos de alegrias, sorriu tristemente, levantou-se caminhando a esmo, dizendo a si mesmo o quanto era tolo.
De igual somente o lugar o resto não era assim, as pessoas, o momento, a vida era tudo diferente naquela hora, era bobeira ficar ressuscitando os mortos disse a si mesmo querendo se convencer.
Foi no banheiro, lavou as mãos e olhou-se no espelho, o rosto impassível sem transparecer o menor sentimento e se fosse o contrário ninguém iria reparar nisso, era um anônimo naquele lugar, apenas mais um partindo como tantos outros. 
Olhou o relógio e se deu conta de já está chegando a hora da partida, desceu as escadas com calma e rumou para a parte de embarque, cumprimentou o funcionário enquanto deixava conferir sua passagem, entrou no ônibus, olhou uma  última vez para trás e deu um adeus prometendo voltar um dia.

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