Não
me lembro a primeira vez que eu cogitei um retorno, fui adiando, arrumando
desculpas, sempre postergando o momento da volta, embora sendo honesto comigo
diga claramente nunca ter partido de vez, parte de mim ficou, uma porta aberta
permaneceu e isso não foi bom.
Durante
o tempo entre a minha saída e agora, fui atormentado por esqueletos no armário,
diversas vezes tentei acabar com qualquer possibilidade de dá uma meia volta,
teimosamente segui em frente mesmo diante de tantas dificuldades.
Um
dia o dinheiro acabou desempregado, sem casa, dormindo em um banco da praça, reconheci
diante de um espelho d`água que onde estava já não tinha mais nada a me
oferecer, como se fosse um sertanejo persistente no agreste nordestino arei a
terra infértil, plantei esperando a chuva e vi aos poucos todo o meu trabalho
não dá em nada até aquele momento, já não tinha mais nada a fazer ali, somente
viver de uma esperança raquítica enganando-me que, um belo dia tudo ia dá certo,
pois merecia um outro final. A esperança morreu sem choro e vela acesa,
enterrada com poucos lamentos e assim já não havia outra alternativa, somente
ir embora, botar o pé no caminho e seguir em frente ou talvez, a escolhida,
voltar atrás e com o orgulho guardado em algum canto pedir para ser recebido.
O
caminho de volta foi difícil, várias vezes parei e me perguntei se era
realmente o que eu queria, não obstante as dúvidas, segui, tendo a certeza de ser
o correto não adiar mais o cogitado há muito tempo.
Entrei
na cidade, onde outrora fui feliz ao amanhecer, não fui recebido com festas e
nem com alegria, reconheci rapidamente alguns lugares e fui em direção a casa
onde pretendia me hospedar. Toquei o interfone, o portão foi aberto depois de
uma saudação pouco entusiasmada, não fui convidado a entrar, permanecendo no
quintal escutei ter demorado demais entre outras coisas desagradáveis, a porta
foi batida em meu rosto deixando-me no quintal falando sozinho tentando lidar
com a frustração.
Não
sei quanto tempo permaneci olhando a porta fechada, esperando ela abrir, uma
hora, duas, não sei realmente, fato é, fui para a rua de novo, saí da cidade e
segui em frente, sem olhar para trás, sem chorar, apenas com uma leve tristeza
no olhar.
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