segunda-feira, 8 de abril de 2013

FIM (II)


Não me lembro a primeira vez que eu cogitei um retorno, fui adiando, arrumando desculpas, sempre postergando o momento da volta, embora sendo honesto comigo diga claramente nunca ter partido de vez, parte de mim ficou, uma porta aberta permaneceu e isso não foi bom.
Durante o tempo entre a minha saída e agora, fui atormentado por esqueletos no armário, diversas vezes tentei acabar com qualquer possibilidade de dá uma meia volta, teimosamente segui em frente mesmo diante de tantas dificuldades.
Um dia o dinheiro acabou desempregado, sem casa, dormindo em um banco da praça, reconheci diante de um espelho d`água que onde estava já não tinha mais nada a me oferecer, como se fosse um sertanejo persistente no agreste nordestino arei a terra infértil, plantei esperando a chuva e vi aos poucos todo o meu trabalho não dá em nada até aquele momento, já não tinha mais nada a fazer ali, somente viver de uma esperança raquítica enganando-me que, um belo dia tudo ia dá certo, pois merecia um outro final. A esperança morreu sem choro e vela acesa, enterrada com poucos lamentos e assim já não havia outra alternativa, somente ir embora, botar o pé no caminho e seguir em frente ou talvez, a escolhida, voltar atrás e com o orgulho guardado em algum canto pedir para ser recebido.
O caminho de volta foi difícil, várias vezes parei e me perguntei se era realmente o que eu queria, não obstante as dúvidas, segui, tendo a certeza de ser o correto não adiar mais o cogitado há muito tempo.
Entrei na cidade, onde outrora fui feliz ao amanhecer, não fui recebido com festas e nem com alegria, reconheci rapidamente alguns lugares e fui em direção a casa onde pretendia me hospedar. Toquei o interfone, o portão foi aberto depois de uma saudação pouco entusiasmada, não fui convidado a entrar, permanecendo no quintal escutei ter demorado demais entre outras coisas desagradáveis, a porta foi batida em meu rosto deixando-me no quintal falando sozinho tentando lidar com a frustração.
Não sei quanto tempo permaneci olhando a porta fechada, esperando ela abrir, uma hora, duas, não sei realmente, fato é, fui para a rua de novo, saí da cidade e segui em frente, sem olhar para trás, sem chorar, apenas com uma leve tristeza no olhar.

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