segunda-feira, 13 de junho de 2016

Vai em Paz, Skidmore.

Alguma noite de 2004. Palestra concorrida no CCBB. Fiquei na fila imensa ansioso pela espera e consegui entrar. Tive conhecimento do evento através de um folder mostrando que vários convidados, por ocasião do aniversário de quarenta anos,  iriam falar sobre a ditadura civil militar do Brasil.
O palestrante para minha surpresa era bem humorado com uma simpatia que logo me conquistou. Avisado que iria dedicar um momento aos seus leitores quando terminasse de falar corri para comprar seu livro na livraria; Estava sem dinheiro no bolso.
- Vocês aceitam cartão?
- Infelizmente não. Na livraria eles aceitam. Deve ter para vender lá.
Sim, tinham para vender e aceitavam a minha “bandeira” (que sorte). Livro nas mãos, sorriso no rosto esperei ansioso a dedicatória. A palestra acabou tarde da noite, o CCBB estava para fechar, a fila grande e eu esperando pacientemente a minha vez.  O funcionário pouco educado tenta expulsar os gatos pingados que ainda restavam não obstante protestos educados dos últimos restantes esperando sua vez. O autor com uma simpatia imensa atendia um a um sempre tendo algumas palavras agradáveis.
- Qual o seu nome?
- Alan.
- Com dois ll?
-  Não, com um só.
Eu queria sentar e conversar com ele sobre a política brasileira, diretas já, Tancredo Neves, as minhas lembranças sobre os últimos anos dosa governos militares. Não foi possível.

 O livro virou um dos meus pequenos tesouros. A lembrança permanece. Vai em paz, Skidmore.




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