É manhã e eu ando pela feira. Alguns já me
conhecem, sorriem, eu olho o que chamo carinhosamente de bugigangas. Camisa
tricolor, um cumprimento aqui, uma pergunta lá e escuto as discussões sobre
política. Discutem se o Lula é ministro, comentam as notícias do dia anterior.
O assunto chegou ao povo e ele, ao contrário do preconceito elitista, procura
se informar sobre que discute o andar de cima.
Paro em uma banca com um jornal muito antigo que
mancheta a morte do Lacerda. Infarto gritam as letras garrafais. Fico um certo
tempo olhando e o senhor diz que eu posso abrir e ler. Declino, não estou
interessado em comprar, meu pensamento vai longe e remete aos dias atuais.
Lacerda bom de discurso, da UDN da tragédia citada por dois gênios.
Mais adiante é uma banca de livros usados. Um me
chama a atenção. Fala da posse de Tancredo, mais uma vez eu me pego com os
pensamentos longe. A esperança, a posse que não houve, o enterro que eu
confundi com uma festa, minha mãe dizendo ternamente "seu pai não foi
trabalhar hoje é feriado porque o Tancredo morreu". Olho os autores do
livro. Um deles tem trinta e poucos anos na época, sobrenome Noblat, e hoje em
dia é figura controversa. O mundo gira, a vida dá voltas, largo o livro lá e
continuo minhas andanças.
Um chaveiro do Flu aqui (só pra não perder o
costume), algumas figurinhas ali e dou de cara com um livro sobre o Lula.
Sorridente na capa, nem peguei pra saber a data, rumei pra casa. Fiquei com
medo do que poderia encontrar se continuasse procurando.
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