sábado, 19 de março de 2016

Feira e Lembranças


   É manhã e eu ando pela feira. Alguns já me conhecem, sorriem, eu olho o que chamo carinhosamente de bugigangas. Camisa tricolor, um cumprimento aqui, uma pergunta lá e escuto as discussões sobre política. Discutem se o Lula é ministro, comentam as notícias do dia anterior. O assunto chegou ao povo e ele, ao contrário do preconceito elitista, procura se informar sobre que discute o andar de cima. 
   Paro em uma banca com um jornal muito antigo que mancheta a morte do Lacerda. Infarto gritam as letras garrafais. Fico um certo tempo olhando e o senhor diz que eu posso abrir e ler. Declino, não estou interessado em comprar, meu pensamento vai longe e remete aos dias atuais. Lacerda bom de discurso, da UDN da tragédia citada por dois gênios.
   Mais adiante é uma banca de livros usados. Um me chama a atenção. Fala da posse de Tancredo, mais uma vez eu me pego com os pensamentos longe. A esperança, a posse que não houve, o enterro que eu confundi com uma festa, minha mãe dizendo ternamente "seu pai não foi trabalhar hoje é feriado porque o Tancredo morreu". Olho os autores do livro. Um deles tem trinta e poucos anos na época, sobrenome Noblat, e hoje em dia é figura controversa. O mundo gira, a vida dá voltas, largo o livro lá e continuo minhas andanças.
   Um chaveiro do Flu aqui (só pra não perder o costume), algumas figurinhas ali e dou de cara com um livro sobre o Lula. Sorridente na capa, nem peguei pra saber a data, rumei pra casa. Fiquei com medo do que poderia encontrar se continuasse procurando.


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