quinta-feira, 17 de março de 2016

Escrevo Para Ler Depois

     Conversava com um amigo sobre a indicação do Lula para um ministério e como isso poderia ajudar ou prejudicar o governo. Disse que logo seria criado um fato igual às outras vezes: o Judiciário cria um fato novo, escutas vazadas para alguma revista semanal ou descobertas bombásticas que depois se mostram irrelevantes. Poucas horas depois, escutas da presidente conversando com o Lula são divulgadas.
   Quando o presidente do Paraguai foi deposto, eu escrevi em um fórum que o PT deveria ter cuidado. Poderia ocorrer a mesma coisa aqui. Alguns amigos duvidaram.
   Após a eleição da Dilma, escrevi aqui neste blog que torcia para que o resultado fosse respeitado pela oposição. Não foi.
   Leio a notícia de grampos nos telefones dos advogados do Lula. Não sei se é legal, mas fico com a sensação de ter sido tolo quando criminalistas criticaram medidas arbitrárias nos meses passados. Eu não me importei. Hoje vejo que está indo longe demais.
    Em fevereiro passado, li ironias quanto à preocupação (minha e de outros) com uma deposição da Dilma e/ou desordem constitucional. Quem ironizou hoje escreve de forma comedida, com um pouco de medo. Eu acertei novamente.
  Não quero apontar dedos, até mesmo porque, se o fizer, ficam com raiva e brigam comigo. Mas quem abriu caminho para a direita conservadora retomar o poder (se ainda não o fez, está em vias de fazer) hoje observa atônito, em um canto, totalmente ignorado pelos acontecimentos. Acharam que estavam lutando por suas causas, mas estavam sendo usados pelos seus piores inimigos.
   A hipocrisia, presente durante todo o processo de fritura da presidente, hoje mais uma vez é exposta com o fechamento da Paulista em dia útil.
    Eu até ontem esperei os protestos espontâneos, em dia útil, para decretar que a Dilma não tem a mínima chance. Eles começaram a ocorrer após a divulgação dos grampos. É temerário dizer, mas vou me arriscar: hoje acabou o governo Dilma de vez.
     Vai demorar um pouco para o Brasil voltar ao normal e, quando isso acontecer, quem mais vai sofrer são as minorias e grupos oprimidos.
     Escrevo hoje para ler daqui a alguns anos, quando o Brasil estiver normal. Ou seja, com os privilégios mantidos e sem a menor possibilidade de algo mudar para melhor.

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