quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Boxeador

Eu fui à lona, beijei a lona e noucateado não consegui me levantar rapidamente deixando a contagem chegar a nove quando consegui finalmente me erguer cambaleante me mantendo em pé o suficiente para a luta continuar. Recebi mais golpes, fortes, fracos fiquei me defendendo como pude. No outro assalto além de resistir consegui revidar, parecia que eu teria chances de me recuperar apesar de tudo mas mais uma vez tomei uma seqüência de golpes e me defendi da forma que consegui. 
Depois de tantas porradas, sem o término da luta me tornei um lutador duro de cair, daqueles que vão apanhando de forma constante e permanece sabe Deus como em pé resistindo à saraivada de socos. Não beijei a lona novamente e a luta continuou. 
A única alternativa é a de lutar como eu posso, de qualquer jeito, desesperadamente, sem me importar se vou vencer ou perder cada round, pois não consigo desistir.
Meu supercílio sangra o nariz já está quebrado há muito tempo, o correto seria o árbitro parar alegando nocaute técnico, alguém jogar a toalha me dando uma derrota digna, comigo tendo a certeza de ter lutado até onde consegui. Mas o combate não para, o adversário implacável aplica os golpes, certeiros, consecutivos, sem me deixar ter reação e eu me defendo,  recuo algumas vezes para o centro do ringue, outras fico encurralado nas cordas, esperando uma chance, quem sabe o golpe certeiro e eu o acerte  em cheio me dando a esperança de uma reação dramática daquelas capazes de emocionar até o expectador mais frio. 
A luta continua dramática, sem o árbitro parar, o adversário já está cansando de bater e eu não fui a nocaute, nem a toalha foi jogada pelo meu técnico. O médico examina e não determina o final, tenho condições de continuar ele diz, e o ringue volta a ter dois lutadores. Até quando? Não sei.

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