Eles estão celebrando. Você não vai ficar com eles?
Não.
O silêncio paira entre as duas pessoas. Elas parecem estranhas, cada uma olhando para frente com seus pensamentos. Já foram íntimos; ele a fazia gargalhar e gostava disso, mas a vida, ah, a vida, havia separado os dois e transformado o passado em dor. O silêncio podia ser cortado com uma faca e não estava fazendo bem a nenhum dos dois.
Por que não vai?
Não faço parte desse povo, dos costumes deles. Sou um forasteiro aqui.
Já está aqui há bastante tempo e todos chegaram de algum lugar. Não existem nativos por essas bandas.
Não precisa ser nativo para se sentir assim. E eu me sinto um forasteiro mesmo depois de ter passado todos esses anos aqui.
Voltaram a silenciar. A festa continuava a toda, as pessoas se divertiam enquanto os dois não tinham o que comemorar. As feridas no coração ainda sangravam, o passado atormentava e não permitia um sorriso. Mais uma vez, ela tentou acabar com aquele silêncio opressor.
Eu achei que você se sentia bem aqui. Sempre falou desse lugar com certa empolgação.
Eu me sinto bem, apesar de, nos últimos tempos, o ambiente ter piorado. Não me sinto parte desse povo. Prefiro ficar quieto no meu canto.
A solidão não é uma boa opção.
Melhor do que tentar rompê-la com falsidade.
Ficaram calados pela terceira vez, até que ela se levantou e foi para onde estava a maioria. Entendia o amargor, mas não queria ficar assim. Iria tentar fazer parte daquela terra, ter seus costumes, não ficaria sozinha.
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