Eu não gosto de dias frios ou de chuvas, associo com momentos ruins na minha vida. E naquele domingo quando ela desabou eu temi o pior apesar do campo pesado nos favorecer.
Renato em uma entrevista diz que temeu uma contusão, não me recordo de ter sentido medo disso, aliás, me recordo verdadeiramente de poucas coisas, a lenda, o mito, há muito superou a realidade, quem conta um conto aumenta um ponto diz o ditado e a cada ponto acrescido a historia é contada.
Não temo fla-Flu, nunca temi, é o único jogo que o respeito pelo rival me faz ter uma coragem plena mas estava temendo outro vice, outro ano sem título enquanto todos os times grandes tinham o que comemorar.
Lembro-me de não ter comemorado nenhum dos 3 gols, de ter me desesperado com a última disparada do Savio e de ter rezado para aquele jogo acabar. Minutos intermináveis em uma narração do Garotinho escutada no walkmam amarelo com um fone arrebentado na hora do terceiro gol.
Foi o maior Fla Flu do séc., o maior jogo do Flu que eu vi e verei, tenho certeza. Foi um título com a cara do Flu tendo um enredo que todo torcedor sonha viver um dia.
Nós torcedores temos isso, sonhamos viver momentos especiais, elegemos a partida das nossas vidas, nos orgulhamos dela, contamos para os mais novos invejosos como foi viver aquilo e quando olhamos matérias, ídolos daquela época, revivemos o passado com carinho. É um orgulho nosso, é meu orgulho ter vivido noventa cinco, um pequeno troféu que guardo comigo.
Vinte anos se passaram e ainda não consigo falar sobre esse momento sem me emocionar. Nossa vida é feita de pequenas lembranças boas que vamos guardando em nossos corações para superar os momentos ruins. Trago comigo as imagens imortalizadas daquele domingo chuvoso, noite fria, inesquecível.
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