terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Briga Entre TOs

                                                                                                       Por Fernando Scorsin

 Sei que tem muita gente que tá de saco cheio de ler sobre esta briga, mas temos que aproveitar a situação pra expor a hipocrisia de cachorros grandes. Vamos lá.
   Nada como a mídia comprar uma briga. Governo resolve "falar grosso", a Dilma resolve twittar sobre o assunto (que desconhece, óbvio), a prefeitura de Joinville toma suas medidas, o Ministério Público de SC passa a batata pro Atlético, que devolve pro Vasco em declarações de seu dirigente, a batata volta pra PM catarinense, que joga pro Ministério Público, que fala sobre os seguranças particulares em eventos privados, e enquanto tudo isso rola na tua frente... A mídia resolve opinar de maneiras completamente equivocadas através de boa parte de seus cronistas.
  O maior equívoco da imprensa esportiva quando se diz respeito às brigas entre torcidas organizadas, ou mesmo barras-bravas latino americanas, ou grupos ultras na europa, é que eles desconhecem por completo como essas brigas funcionam. Há gente na imprensa que ainda acha tratar-se de 22 jogadores e 1 bola. Há outros que acham que são "bandidos infiltrados", quando na verdade, é uma soma de fatores, que incluem sempre rivalidades construídas ao longo do tempo, ora por alianças, ora por situações passadas, além da adrenalina da situação e a oportunidade de trocar porrada - tirar a casquinha - sempre quando ela aparece.
  Entre os exemplos que a imprensa nacional têm amado louvar nos últimos 5 anos - desde que a TV fechada encontrou uma maior expansão de clientela, que com isso passou a acompanhar jogos da Premier League - está o (fracassado) "Modelo Inglês". Este modelo consiste na falência completa do poder público em solucionar ou amenizar problemas, criando empecilhos e mais práticas burocráticas. Proíbe-se a cerveja alcoólica nos estádios.
   A responsabilidade passa a ser dos clubes com supervisão das entidades máximas de Futebol, que por sua vez, resolvem aumentar exponencialmente o preço dos ingressos. Naturalmente existem "n" casos para comprovar que não há NENHUMA relação entre "preço barato de ingressos + cervejas alcoólicas" x "hooliganismo". Não há nenhum indício que mostre como esta relação se comprova, e podemos utilizar o ano de 2013 no Brasil, onde diversos confrontos ocorreram justamente nas... Arenas "padrão FIFA" que a Copa utilizará, sob exceções de Joinville e Itu.
   Adiante, a falência do "Modelo Inglês" se exemplifica na forma que a Inglaterra viu seus torcedores mais jovens desaparecerem por completo. Viu seus estádios (arenas) sucumbirem em meio ao espetáculo teatral da falta de cantorias e de uma atmosfera mais propícia ao futebol. O espetáculo de outrora, como o épico jogo entre Liverpool x St. Etienne (França) pela Champions League em 1977, foi punido. E as brigas não cessaram, até que a polícia tenha se informado suficiente sobre as rivalidades. Elas haviam passado a acontecer nos arredores dos estádios, nos pubs, nos terminais e estações de metrô e assim por diante.
   Rapaziada, aprendam a pensar por conta PRÓPRIA. O foco do problema do hooliganismo é a falta de manejamento do poder público em áreas de segurança (coincidência com as taxas de homicídio, assaltos, etc? Pois é). O foco do problema é a burocracia, a ignorância ora do MP, ora da polícia, ora dos próprios cartolas, ora de órgãos governamentais em (não) ouvir as torcidas organizadas, em (não) arregaçar as mangas, em (não) colocar em prática soluções de deslocamentos, escoltas, acompanhamentos quando se mais precisa. Quando brigas ocorrem, há sempre a omissão de organizadores e responsáveis pelo manejamento de segurança pública. Esta parte precisa ser cobrada sim. Porque esta parte precisa garantir o seu papel funcional de arrecadação de 5 meses de impostos em 1 ano.
   Esta omissão é SEMPRE repassada na responsabilização dos objetos: proibição de faixas, de bandeiras, de camisas, de cervejas, de ingressos baratos, de alambrados, e assim por diante. Porque é mais fácil. Você resolve com uma caneta, joga com o populismo, e diz ter resolvido o problema sem nem ter arregaçado as mangas.
  Não caiam neste conto do vigário.
    Não Ao Futebol Moderno.

* Fernando Scorsin, é torcedor do Paraná, profundo conhecedor das torcidas organizadas, um amigo e gentilmente cedeu esse texto escrito na sua tl do facebook para esse espaço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário