Verão no Rio de Janeiro, temperatura acima de trinta graus como ele gosta, trazendo uma noite agradável de lua cheia despertando velhas lembranças intrometidas presentes sem serem convidadas. Anda pela praia, escutando o barulho das ondas e pensando na sua situação atual. Está livre, pode fazer o que quiser com quem e a qualquer hora , e isso não vai ser desonesto ou um ato de traição e nem vai lhe obrigar a dar alguma desculpa esfarrapada para ninguém, nem mesmo para sua consciência. Isso é bom, mas não está feliz e isso não é surpreendente, pois se entende melhor de quem está próximo dele embora isso não tenha servido para muita coisa até agora. Adianta se conhecer e cometer os mesmos erros, ainda se deixar enganar como um tolo? Não adianta muito, algumas vezes pensando ser uma situação diferente foi obrigado a ver um final igual a outras vezes.
Não foi feito para uma prisão, detesta se sentir preso e proibido de fazer algo. Proibições e regras não foram feitas para ele, talvez por isso implique tanto com o catolicismo (sua religião) e com quem mais tenta ditar regras seja quais forem. Não se importa que o coloquem na palma de uma mão mas se fecham a mesma ele ferroa sem dó, pois não aceita ser tolhido de forma nenhuma. Já tentou explicar, se deixarem livre ele volta, sem demorar muito. Dará seus vôos por aí, visitará novos lugares, sentirá o vento fresco no rosto e voltará para onde se sente bem e souber que alguém o espera. Isso é importantíssimo, saber que ao retornar o sorriso no rosto e um abraço apertado será dado com sinceridade por quem sempre está esperando o seu retorno. Uma volta ao lugar onde se é bem vindo sempre faz bem a alma de todos e não seria diferente com ele.
Também sempre avisa e cumpre, diga-se de passagem, não foi feito para muitos lares, quando viaja não deixa alguém em cada porto, um lar em cada cidade, não é disso, não precisa agir assim, quer apenas viajar, voltar a lugares desconhecidos, reencontrar conhecidos, e sentir necessidade de retornar para quem ama.
Seria perfeito se a vida fosse assim, mas a liberdade alheia incomoda e então é necessário aprisionar, um dos costumes dos seres humanos. E assim como o homem coloca o pássaro em uma gaiola para ter o seu canto apenas para si as pessoas prendem as outras para não dividirem seus encantos (seja quais forem) com estranhos sem perceberem o mal feito.
Alguns pássaros se acostumam com a situação, outros vêem nisso uma solução adequada e vivem bem porque não dizer felizes, mas existem os que permanecem o dia inteiro na mesma árvore sem voar, mas não aceitam a proibição de uma grade aos seus vôos. A falta de liberdade para ele faz mal em todos os aspectos da vida, nunca aceitou de bom grado o domínio de nada e nem de ninguém, rebelde por natureza sempre esteve disposto a lutar para ser livre.
Sentado na murada, lança pedrinhas no mar, o coração está dolorido, já não tem para onde ir e nem para quem voltar por alguns instantes se recrimina por está assim. Ao menos estou livre, pensa, a liberdade não tem preço e mesmo doendo ela ainda é a melhor opção. Antes uma tristeza em liberdade a uma alegria em uma prisão.
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