O tempo é inexorável, a madrugada está seguindo o seu ritmo, enquanto eu fico
esperando cada minuto a abertura da cela. Insone, ocupando meus pensamentos
para não esquecer, arrumo lembranças que não doem, faço planos possíveis de
serem executados, engano-me com sonhos que não virarão realidade. Anseio pelo
raiar do dia que trará a minha liberdade, preciso sair daqui o quanto antes,
não suporto a prisão. O ar daqui não é puro, não existe o vento no rosto, é
sombrio, não escuto risos verdadeiros e as lágrimas são companheiras
constantes. Lugar mal assombrado, quantas almas penam por seus corredores,
quantos homens desistiram de viver diante das dificuldades, derrotas constantes
faz qualquer um desistir.
Olho
um relógio, não falta muito, penso, preciso agüentar até a hora de ir embora,
sou forte o suficiente para isso, preciso ser forte o suficiente, caso
contrário serei outro derrotado nessa masmorra.
Meus
pensamentos são meus inimigos, assombrações de outros tempos, o tédio e o ócio
fazem piorar meus sentimentos, falta pouco para tirar meus grilhões, sair pela
porta sem fugir, calmamente colocar os pés na rua e sentir o ar fresco me
abraçar. Não é solução para os meus problemas, preciso encará-los de
frente, além disso, no final do dia serei obrigado a voltar, mas aqui é pior.
As paredes me sufocam, a luz acesa no corredor me vigia e a escuridão da noite
me oprime. Quero ir embora. Sair. Quero a minha liberdade, mesmo que seja tão
breve quanto doze horas.
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