domingo, 23 de setembro de 2012

Regime Aberto

O tempo é inexorável, a madrugada está seguindo o seu ritmo, enquanto eu fico esperando cada minuto a abertura da cela. Insone, ocupando meus pensamentos para não esquecer, arrumo lembranças que não doem, faço planos possíveis de serem executados, engano-me com sonhos que não virarão realidade. Anseio pelo raiar do dia que trará a minha liberdade, preciso sair daqui o quanto antes, não suporto a prisão. O ar daqui não é puro, não existe o vento no rosto, é sombrio, não escuto risos verdadeiros e as lágrimas são companheiras constantes. Lugar mal assombrado, quantas almas penam por seus corredores, quantos homens desistiram de viver diante das dificuldades, derrotas constantes faz qualquer um desistir.
Olho um relógio, não falta muito, penso, preciso agüentar até a hora de ir embora, sou forte o suficiente para isso, preciso ser forte o suficiente, caso contrário serei outro derrotado nessa masmorra. 
Meus pensamentos são meus inimigos, assombrações de outros tempos, o tédio e o ócio fazem piorar meus sentimentos, falta pouco para tirar meus grilhões, sair pela porta sem fugir, calmamente colocar os pés na rua e sentir o ar fresco me abraçar.  Não é solução para os meus problemas, preciso encará-los de frente, além disso, no final do dia serei obrigado a voltar, mas aqui é pior. As paredes me sufocam, a luz acesa no corredor me vigia e a escuridão da noite me oprime. Quero ir embora. Sair. Quero a minha liberdade, mesmo que seja tão breve quanto doze horas.

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