João
pisou no gramado e olhou em volta emocionado se segurando para não chorar. Eles
não tinham abandonado o time, estavam nas arquibancadas apoiando, apesar de
todo o ocorrido os torcedores acreditavam.
Na
cidade daquele tempo, o futebol ainda não era tão popular mas o assunto tinha
sido muito comentado durante a semana, iriam se encontrar pela primeira vez
dois times que tinham se tornado rivais mesmo sem ter disputado ainda a
primeira partida.
Os
especialistas davam como certa a vitória do Flamengo formado pelos antigos
titulares do seu adversário tricolor o Fluminense.
Meses
antes por causa de um desentendimento nove atletas tinham abandonado a sede
situada no bairro da Laranjeiras e tinha encontrado abrigo na Gávea, dois dos
titulares haviam ficado, um deles era João, conhecido pelo apelido preguinho, ele
não tinha ido, defendia o Fluminense por amor, pela dor, pelo irmão e pelo pai,
eram tantos motivos que tudo podia ser resumido como o clube sendo parte da sua
vida.
O
jogo começou, antigos companheiros de clube frente a frente, agora em lados
opostos, ao contrário do que é comum ocorrer, a rivalidade tinha nascido antes
do primeiro jogo, já não era admissível perder para o time rival e durante
noventa minutos cada espaço do tempo serviu para a batalha entre os dois times.
Quando
o juiz apitou o final, sacramentando a vitória tricolor por três a dois, João
correu para a arquibancada e abraçou seu pai, o escritor Coelho Neto, chorando
disse-lhe “O Fluminense não vai acabar meu pai, será eterno”.
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