sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Primeiro Fla Flu


João pisou no gramado e olhou em volta emocionado se segurando para não chorar. Eles não tinham abandonado o time, estavam nas arquibancadas apoiando, apesar de todo o ocorrido os torcedores acreditavam.
Na cidade daquele tempo, o futebol ainda não era tão popular mas o assunto tinha sido muito comentado durante a semana, iriam se encontrar pela primeira vez dois times que tinham se tornado rivais mesmo sem ter disputado ainda a primeira partida.
Os especialistas davam como certa a vitória do Flamengo formado pelos antigos titulares do seu adversário tricolor o Fluminense.
Meses antes por causa de um desentendimento nove atletas tinham abandonado a sede situada no bairro da Laranjeiras e tinha encontrado abrigo na Gávea, dois dos titulares haviam ficado, um deles era João, conhecido pelo apelido preguinho, ele não tinha ido, defendia o Fluminense por amor, pela dor, pelo irmão e pelo pai, eram tantos motivos que tudo podia ser resumido como o clube sendo parte da sua vida.
O jogo começou, antigos companheiros de clube frente a frente, agora em lados opostos, ao contrário do que é comum ocorrer, a rivalidade tinha nascido antes do primeiro jogo, já não era admissível perder para o time rival e durante noventa minutos cada espaço do tempo serviu para a batalha entre os dois times.
Quando o juiz apitou o final, sacramentando a vitória tricolor por três a dois, João correu para a arquibancada e abraçou seu pai, o escritor Coelho Neto, chorando disse-lhe “O Fluminense não vai acabar meu pai, será eterno”.

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