O líder desce do seu helicóptero empertigado apesar da precária condição física. É lenda no país as suas histórias de superação. Caminha com o comandante ao seu lado passando em revista seus soldados, tem o olhar firme com um jeito desconcertante de encarar as pessoas. Para em frente a um dos oficiais e pergunta:
- Tem alguém esperando a sua volta para casa?
- Tem sim, senhor!
- Quem?
- Minha mulher e minha filha.
- Qual a idade da menina?
- Tem 9 meses, meu líder. Nasceu e logo eu vim para cá.
Olha seu soldado mais atentamente. Percebe a emoção contida quando citou a filha. Se pergunta quantos no seu exército estão na mesma situação. Esperando ansiosos o retorno para seus amados e amadas. A guerra acabou, logo virá outra, porque os homens não sabem viver em paz e é uma forma de alcançar objetivos. Todos ali sabem que existe a possibilidade de retornarem a guerrear, por outros motivos, outras causas, mas esperam o final dessa. Até mesmo o mais valoroso dos guerreiros sabe o valor da paz. Mesmo não sendo duradoura. Retorna dos seus pensamentos, percebe todos o olhando e fala com tranquilidade:
- A guerra acabou , soldado. É hora de cada um voltar para os seus, sua filha voltará a ver o pai.
Diz isso e retoma sua caminhada, Altivo, com seu jeito irritante e desafiador. Um líder amado e temido pelo seu povo. Capaz de punir com a mesma certeza que protege. Um comandante feliz por ter vencido mais uma guerra.
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