quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Narcisos

  Já ocorreu muitas vezes nesse Brasil e a reação é sempre a mesma. Torcida organizada se irrita com o jogador e o agride de alguma forma seja com ameaças ou atos mais graves. Ocorrendo isso as opiniões do torcedor comum se dividem basicamente em duas, os que apóiam e os que criticam fortemente pregando a punição rigorosa de todos os envolvidos.
  Não vou falar sobre se as organizadas estão certas ou erradas (não nesse momento), mas usar esse episódio como o exemplo para mostrar uma espécie de narciso aquele que se autoelogia através do alheio.
  O jornalista esportivo, e quem mais se dispõe a escrever sobre ao saber do fato (ação das TO) não se importa em escrever um texto questionador, cobrando soluções, analisando a situação, prefere repetir o que seu público pensa, fazendo assim um texto cheio de obviedades para agradar a maior parte dos seus leitores.
  Citei o futebol, mas isso ocorre em outros assuntos também, o texto bem escrito e elogiado não é o que faz pensar, questiona, leva você a ver as coisas sob um novo ponto de vista e sim aquele repetindo exatamente o que a pessoa pensa, é como se eu ao acabar de escrever esse post, lesse alguém de sucesso escrevendo a mesma coisa e eu falasse “esse cara é genial, acertou na mosca”.
  Vivo em um país onde é comum fazer isso, e se você tem alguma dúvida disso basta dá uma olhada nos textos escritos sobre o chamado caso Fred. Explico, o jogador supostamente ameaçado se recusou a jogar e deu queixa na delegacia acusando integrantes de uma torcida organizada e dois jornalistas de terem incitados essa atitude. O caso pode ser visto por vários aspectos, pode-se discutir a ética jornalística, a falta de profissionalismo do atleta, se é verdadeira ou não as acusações e outras coisas mais e não foi o que fizeram. Li alguns textos publicados e todos eles apenas repetiram o que parte do torcedor comum pensa e que tenho certeza dá audiência para quem escreve, mesmo aqueles citando onde questionamentos a atitude do jogador existem são feitos de forma discreta sem se aprofundar na questão.
   Por isso não foi surpresa para mim quando uma pessoa alçou um texto medíocre à condição de genial, texto esse que repetia exatamente o que ele pensava sem tirar nem por. Elogiar um texto dessa forma é nada mais do que se autoelogiar e falar "eu sou tão foda que fulano escreveu o que penso".

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