segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ainda Sobre Mitos Brasileiros (II)

  Continuando a série de post sobre mitos, agora termino de analisar os restantes começando com culpar o tamanho continental do nosso país pelos nossos maiores problemas como  a taxa de analfabetismo. Se fôssemos menores os problemas seriam os mesmos, simplesmente porque não mudariam os nossos números desiguais somente por termos uma população com número menor. Por exemplo, Se o Brasil fosse do tamanho da região sudeste a nossa taxa de analfabetismo continuaria elevada pois continuaríamos a ter uma política educacional precária como é agora. Não é o nosso tamanho que causa os números entristecedores em determinadas áreas e sim a negligência ao se tratar dessas situações. 
   Essa até um "respeitado" jornalista acreditou tanto que resolveu até lançar um livro sobre o assunto o que infelizmente é um desserviço para a luta contra o preconceito racial no Brasil. Somos um país onde os negros e brancos vivem sem conflitos raciais é o que eu escuto por aí. Seria cômica se não fosse trágica essa informação, pois ela até então é uma das formas de amenizar o nosso preconceito racial e fazer dele um assunto menor relegado a segundo plano. A lenda provavelmente começou com Gilberto Freyre em seu livro Casa Grande e Senzala onde ele escreve que existe uma flexibilização no Brasil permitindo a convivência entre negros e brancos sem confrontos e não que ela seja pacífica como frequentemente ouço dizer. Infelizmente brancos e negros flexibilizaram as relações, mas as tensões raciais continuam presentes e ficam evidentes todos os dias principalmente agora que aos poucos os negros vão lutando contra isso e causando reações exarcebadas de quem acha que tensões raciais é coisa de americano ou sul africanos.
     Somos uma sociedade conservadora com um moralismo forte, portanto de liberal não temos nada. A imagem do brasileiro sambando em um carnaval do ano inteiro que os estrangeiros por muito tempo tiveram e ainda tem da gente talvez tenha contribuído para esse mito. Um país onde ainda se discute com ardor se a união civil entre homossexuais deve ser legalizada, que o estado é laico somente no papel e na realidade tem uma forte interferência religiosa, é tudo menos liberal. 
   Por último, de pacífico não temos nada. A nossa sociedade aceita a tortura e o homicídio, critica os direitos humanos e não se importa nem um pouco com a violência desde é claro que ela não atinja um dos nossos. Um belo exemplo disso foi a glamourização do personagem Cap. Nascimento no filme Tropa de Elite, o que seria um motivo para a gente refletir o quanto a nossa polícia é truculenta virou um exemplo de como se deve agir.
   Talvez eu tenha me esquecido de outras teorias que são comumentes repetidas ano após anos como aquelas correntes e boatos chatos da internet, mas creio eu, serem esses os mais comuns. Caso me lembre de mais alguns, retorno ao tema escrevendo o quarto texto dessa série.


   

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