Os territórios que delimitam os limites do nosso país nunca foram conhecidos pela paz. Pelo contrário, aqui sempre foi local de batalhas sangrentas, algumas delas tão longas que até os dias atuais não foram resolvidas definitivamente embora tenham sido começadas há muitos anos. Aqui por exemplo a fronteira está fechada por tempo indeterminado e é guardada por soldados armados até os dentes prontos para barrar a entrada de qualquer desconhecido.
Quando um soldado vem para cá, diz de forma irônica que “vai com Deus, se não voltar, estará com ele”, e foi sabendo disso que vim para cá, sabendo do inferno onde estava me embrenhando com possibilidades reais de ficar por aqui mesmo.
A principio eu iria liderar um pequeno grupo, tomando conta de um caminho conhecido como "corredor" que liga o reino a outro país, mas logo na minha chegada fomos surpreendidos por um ataque intenso e o que era um pequeno destacamento militar tornou-se uma unidade de combate com a missão de nos proteger de uma invasão ou de coisas piores. Desde então perdi a esperança de retornar para casa.
As notícias da capital que eu ouço são de extrema dificuldade causada por uma recessão cada dia pior, só que ao menos quem está lá permanece junto aos seus, enquanto quem fica aqui só vê destruição e morte. Ontem foi mais um dia assim, combates sangrentos fazendo mais vítimas nos meus soldados, eu até tentei evitar uma carnificina maior tentando me manter distante, mas não foi possível diante de mais uma invasão inimiga. Foi necessário o confronto com o nosso exército utilizando todos os recursos disponíveis para não sermos empurrados para trás e perder territórios o que seria inadmissível.
Agora eu olho o que está em pé ainda e tenho vontade de desistir, pedir para me tirarem desse inferno mesmo que isso me cause desonra. Permaneço ainda pelo nosso orgulho que continua firme, esse ainda não foi destruído por essa guerra, a coragem desse destacamento militar é algo que também impressiona, talvez se fossem outros soldados já tivessem se rendido, mais não a gente. Somos soldados da fronteira estamos acostumados com situações onde até os corajosos tremem de medo, trazemos orgulhosos nos corpos às marcas de batalhas, não temos medo de morrer, apenas da desonra e deixar de lutar não é honroso. Por isso permaneço, perdi muito nessas terras, mas não o orgulho.
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