domingo, 20 de maio de 2012

Livros


Compro livros por prazer, mais do que posso ou quero ler, por isso não é raro eles chegarem lá em casa irem para a estante e só serem lidos, dois, três anos depois ou mais.
Geralmente não tenho pressa, gosto de olhar para a biblioteca e saber que a qualquer momento posso pegar um da coleção, folhear e viajar por suas páginas sem nunca ter feito isso antes. Nada contra a reler livros, já fiz isso outras vezes, mas sendo a primeira vez tem algo especial na leitura, ainda mais se essa atividade me envolve, transporta para outro mundo, me faz descobrir algo interessante.
Não gosto de arrumar meus livros, vou colocando-os na estante sem critérios, autores e assuntos misturados sem levar em conta nenhum motivo para um ficar ao lado do outro, chegam em casa e eu coloco-os lá junto aos outros até o dia que por algum motivo eu vou mexer, minha biblioteca pode ser considerada uma anarquia ou como queiram uma bagunça, onde a qualidade literária também não é levada tão em conta. Explico aos leitores, existem livros reconhecidamente escritos por escritores de qualidade inferior, tem os clássicos consagrados e por aí vai. Por isso, muitas vezes um Paulo Coelho está junto ao Karl Marx em perfeita harmonia e não gosto de ninguém falando mal deles, se estão na estante são por algum motivo especial para mim.
Essa semana sem nada para fazer resolvi olhar quais livros tinha, fui retirando de onde estavam e folheando, sorri para alguns, outros lembrei de onde estava quando comprei presentes queridos dedicados e agora lembranças de quem nem vejo mais, livros comprados em eventos, da faculdade, tantos e tão diferentes, então lá no fundo, bem discreto e certamente escondido tinha um rosa, fino, quase passando despercebido. Não o reconheci logo, peguei querendo saber de qual se tratava e quando vi a capa lembrei porque ele estava guardado em um lugar esquecido. O abri com certo medo, lembranças despertando, na primeira página a dedicatória escrita e eu sabendo que atrás daquelas palavras tinha outra não escrita, a marca na orelha que para desavisados era um borrão qualquer e somente eu sei qual o significado.
Sentei na cama, as folhas passando em minha mão e eu sem ler, estava ali e viajava para longe, um tempo saudoso e distante. Respirei fundo e assim como quem fechar um baú o recoloquei o livro no lugar de antes e outros a lhe esconder novamente, tudo voltava ao normal na minha biblioteca e na minha vida.
O tempo passa, lembranças ficam.

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