terça-feira, 19 de junho de 2012

Quando A Crítica É Ofensa

    Em outra ocasião já comentei aqui sobre a minha relação com o rap nacional até os dias atuais e embora já tenha ocorrido várias coisas que eu discordo desde que eu comecei a escutar esse ritmo na década de noventa, ainda respeito e curto o trabalho do grupo Facção Central.
    Para quem não conhece esse grupo sempre optou por letras fortes onde a favela, crimes, violência e preconceitos são mostrados de forma crua, sem a preocupação de amenizar e muitas vezes chocante. Por isso, ao divulgar a capa do seu livro, Eduardo (um dos vocalistas) não me surpreendeu e escolheu uma imagem forte onde um homem segura uma criança banhado de sangue.
   Não me surpreendi, mas achei apelativa, em um Brasil onde programas jornalísticos e a internet dispõem de imagens fortes para quem quiser ver, acho que esse conceito do choque ficou banalizado e o escritor poderia ter feito algo diferente, até mesmo para não correr o risco de limitar o seu leitor apenas aos que escutam sua música.
   Essa é minha opinião e a crítica não é desmerecendo o trabalho do designer (achei muito bem feito) e nem o livro é simplesmente uma questão de gosto, algo muito pessoal e que deveria ser entendido como tal. Não foi, ao postar essa opinião em uma comunidade do Orkut (ainda sou um dos que resistem a migrar de vez para outras redes sociais embora perceba que isso não vai demorar, pois a cada dia esvazia mais) fui atacado de várias formas por talifãs (termo criado pelo jornalista Maurício Stycer) que em vez de debater o porquê de eu achar apelativo, preferiram ir pelo caminho do ad hominem o que é irritante, diga-se de passagem.
    Ora, aos ataques pessoas respondi da mesma forma e a quem se limitou a discutir o conceito de apelativo também o fiz assim e como outros concordaram comigo, percebi que, não foi somente eu que entendi dessa forma, isso invalida a tese do exagero ter sido somente meu.
   De tudo fica mais uma demonstração que a vida me deu de como as pessoas ainda não aprenderam a diferenciar uma crítica da ofensa e pior, são incapazes de perceber que estão tratando com uma pessoa que curte tanto quanto eles o grupo apenas não usa antolhos e nem é tão manipulado a ponto de bater palmas para todos os seus atos e trabalho.
   Ter uma opinião e defende-la não é uma forma de causar tumultos ou provocar outras pessoas, torna-se isso por causa dessa mania que temos de tomar uma opinião contrária como se fosse uma cusparada no rosto.

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