Getúlio
Vargas chega ao poder no começo da década de trinta e no exercício dele mantém
uma política exterior ambígua, podemos dizer que enquanto pode, ficou em cima
do muro. Em mil novecentos e trinta e oito, o governo brasileiro toma uma
decisão triste, com a circular secreta de nº. 1.127, Getulio decide restringir
a entrada de judeus em nosso país, oficializando a discriminação já existente
de forma clandestina por aqui.
O Brasil
que até então tinha recebido migrantes de várias partes do mundo, não
importando de onde viesse, sucumbia ao anti-semitismo fechando a porta para
quem já começava a ser perseguido na Europa e precisava de desesperadamente
procurar um novo lugar para ficar.
Por
aqui os tempos eram difíceis, no ano anterior as eleições presidências que
deveriam ocorrer nesse ano tinham sido canceladas e o país vivia uma ditadura que não hesitava em reprimir e perseguir seus
opositores, não importando quem fosse. Em um ambiente político conturbado como
estávamos naquela época, era mais prudente os funcionários do governo
simplesmente se omitir em ajudar quem fosse de origem judia para não arrumar
problemas, mas felizmente alguém trabalhando na Alemanha não pensou assim e eu
imagino quantas vidas ela mudou para melhor com seu ato de coragem.
Na
seção de vistos do consulado brasileiro em Hamburgo, cidade alemã trabalhava
uma paranaense, separada do marido que
tinha ido morar na Alemanha, chamada Aracy. Sendo essa uma mulher de fibra,
como todas são, percebendo a situação dos judeus na nação onde estava vivendo,
ignorou a ordem governamental e decidiu com o coração ignorar a circular
continuando a preparar os vistos dos judeus que chegavam a suas mãos. Para não
ser descoberta, essa corajosa mulher
quando ia despachar com o cônsul
geral, colocava os vistos junto com outros papéis.
Aracy
de Carvalho Guimarães Rosa, não precisa ser lembrada como mulher do poeta, tem
uma historia própria e merece ser sempre lembrada pelo que fez quando servia ao
seu país em um lugar distante, podendo se omitir, pensar na sua segurança,
preferiu fazer a diferença.
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