sábado, 2 de junho de 2012

Uma Mulher Brasileira


     Getúlio Vargas chega ao poder no começo da década de trinta e no exercício dele mantém uma política exterior ambígua, podemos dizer que enquanto pode, ficou em cima do muro. Em mil novecentos e trinta e oito, o governo brasileiro toma uma decisão triste, com a circular secreta de nº. 1.127, Getulio decide restringir a entrada de judeus em nosso país, oficializando a discriminação já existente de forma clandestina por aqui.
O Brasil que até então tinha recebido migrantes de várias partes do mundo, não importando de onde viesse, sucumbia ao anti-semitismo fechando a porta para quem já começava a ser perseguido na Europa e precisava de desesperadamente procurar um novo lugar para ficar.  
Por aqui os tempos eram difíceis, no ano anterior as eleições presidências que deveriam ocorrer nesse ano tinham sido canceladas e o país vivia uma ditadura  que não hesitava em reprimir e perseguir seus opositores, não importando quem fosse. Em um ambiente político conturbado como estávamos naquela época, era mais prudente os funcionários do governo simplesmente se omitir em ajudar quem fosse de origem judia para não arrumar problemas, mas felizmente alguém trabalhando na Alemanha não pensou assim e eu imagino quantas vidas ela mudou para melhor com seu ato de coragem.
Na seção de vistos do consulado brasileiro em Hamburgo, cidade alemã trabalhava uma paranaense,  separada do marido que tinha ido morar na Alemanha, chamada Aracy. Sendo essa uma mulher de fibra, como todas são, percebendo a situação dos judeus na nação onde estava vivendo, ignorou a ordem governamental e decidiu com o coração ignorar a circular continuando a preparar os vistos dos judeus que chegavam a suas mãos. Para não ser descoberta, essa corajosa mulher  quando ia despachar  com o cônsul geral, colocava os vistos junto com outros papéis.
Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, não precisa ser lembrada como mulher do poeta, tem uma historia própria e merece ser sempre lembrada pelo que fez quando servia ao seu país em um lugar distante, podendo se omitir, pensar na sua segurança, preferiu fazer a diferença.

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