O país não chegou a ter uma guerra civil declarada, mas, enfrentando crises consecutivas, alguns grupos, com apoio do exterior, pegaram em armas e foram contra o governo, causando uma fortíssima repressão estatal. O que de pior pode ocorrer é uma briga na família, entre irmãos ou pessoas que se amam. No final, todos saem perdedores, e é necessário que o vencedor, quando há, seja grande o suficiente para oferecer o perdão. Pensando assim, o governante daquele reino distante decidiu anistiar os rebeldes de outrora e fez um pronunciamento à nação.
Boa tarde a todos que de alguma forma estão lendo ou escutando as minhas palavras. Não estou aqui hoje para dizer palavras repetidas como "acabou" ou para fazer velhas promessas de paz. Também não desejo continuar colocando soldados nas ruas, gerando mais violência. Assim, quero novos tempos onde a paz impere sem precisar de armas para ser garantida. Eu sei que muitos de vocês têm dores ainda e não se esqueceram dos motivos para senti-las. Não importa de que lado ficaram ou se escolheram a neutralidade. Infelizmente, não foram poucos a sofrer as consequências causadas pelos últimos acontecimentos. Estamos construindo um novo caminho, onde esses fantasmas serão apenas lembranças em um fundo de baú. É difícil, com sofrimento, com lágrimas, mas suas estradas abertas nos fazem caminhar, e se conseguirmos seguir em frente, poderemos um dia voltar a ser o que fomos um dia, ou quem sabe até melhor. Por isso, preciso de todos vocês, de quem foi contra e a favor, lutou ou luta por nosso país, e de quem desistiu de lutar. Também preciso de quem, em nome de uma causa, bandeira ou ideologia, pegou em armas contra o governo. Não excluo ninguém.
Chegou à hora da reconciliação entre a gente, de enfrentarmos juntos esse momento de dor para todos nós, mas também de esperanças. Se você pegou em armas ou ainda a empunha, desarme-se. Se ainda tem dúvidas ou medo, essa é a hora. Se é perseguido ou está preso por motivos políticos, sinta-se tranquilo; a liberdade está próxima. Hoje, eu estendo as minhas mãos, através da anistia, a qualquer um que queira a reconciliação, e prometo não vingar-me e nem retaliar ninguém. Não é um perdão; quem perdoa é Deus. Também não é um pedido de desculpas ou um desejo de tudo voltar ao que era antes. É apenas a vontade de recomeçar.
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