A Entrega
Acordou sobressaltado. Sem esforço lembrava cada palavra e
imagem do sonho daquela noite, já tinha tomado a sua decisão. Resmungou quando
tropeçou no tapete, meio sonolento se olhou no espelho e perguntou-se a que
horas o mercado abria. Talvez se fosse um dos primeiros a chegar enfrentasse
uma fila menor, pensou resignado enquanto escovava os dentes e tentava dizer a si
mesmo algum motivo para aceitar toda essa loucura como normal. Se contasse para
alguém que tinha sonhado com um anjo e ele tinha pedido para doar uma cesta
básica era capaz de ser internado ou visto com desconfiança.
Comprou os mantimentos, pegou o
carro e rumou até o endereço indicado. Tocou a campainha e quando uma senhora
apareceu entregou os mantimentos.
- Bom dia. Mandaram entregar a
senhora.
- Hã? Quem? O que é isso?
Não respondeu, deu as costas,
entrou no carro, acelerou e foi embora. Ela que arrumasse explicações, ouvisse
sua filha, não importava. Sua parte estava feita e estava com a sensação de ao
menos nesse natal mesmo passando sozinho como nos anos passados iria ser
melhor. Ao menos teria um conforto no coração. E sorriu como há muito tempo não
fazia.
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