Eu vou emitir
opinião, mas antes peço licença e ressalto que é com o máximo respeito aos
amigos envolvidos, de alguma forma, na situação. Sinto-me a vontade para isso,
pois faço parte, assim como vocês, do problema e por isso teço comentários
acerca dessa polêmica com o Rafucko.
É controverso comercializar (mesmo sem
objetivos de lucros) produtos que remetem a tragédias e acho que deveria ter
conversado com as famílias de Costa Barros sobre a utilização de referências
quanto aquela chacina. Não tiro a razão
delas por se sentir incomodadas com a exposição, comercialização, objetificação
da sua dor. Provavelmente eu me sentiria assim também. E isso não é resolvido
com carta aberta mas com presença, olho no olho, palavras saindo da boca.
A periferia tem que exigir seu espaço e lutar
para ser ouvida, porém não pode prescindir de aliados seja de onde ele for. Desde
que "fale junto com a favela" e não "pela favela" ou tente
impor a ela o que pensar. Não podemos excluir alguém somente por ele não viver
a “realidade”, não ser um “morador”, não ser um dos “nossos”, discordo
categoricamente da crítica “é uma exposição de boy para boy consumir”. Se está levando para além dos muros de
preconceito toda uma realidade escondida por uma mídia vendida e diversos
outros fatores contará com o meu apoio mesmo sendo do asfalto para o asfalto.
Se o artista pretende ser um ativista
da causa e quiser ter legitimidade para falar pelos protagonistas terá que
conquistar isso. É uma relação de confiança, de respeito, e isso se conquista
não vem de graça. Se ele não quiser pode prosseguir com o trabalho dele sem ter
esse aval. Sem problemas. As críticas
recebidas, positivas ou negativas, são normais não devem ser encaradas como se
fossem um atentado a liberdade de expressão, algo que deva ser repudiado, visto
com tanta estranheza. Não é porque a exposição defende uma determinada classe
social que ela vai dizer amém. Não gostou? Critiquem, debatam, discutam, reflitam
se entendam, apenas não cerceiem a liberdade do artista.
Tudo na vida é uma “idéia” aprendemos
isso nas ruas, vielas, relações durante essa jornada no mundo periférico. O Rafucko
(se quiser) pode conversar com os irmãos e expor o pensamento dele, ouvir,
falar e chegar a um entendimento. Não o considero um aproveitador tentando
lucrar com “desgraças” e coisas do tipo. Não o considero um oportunista. Vejo
como um aliado nessa causa e como tal pode nos ajudar a tentar mudar esse
panorama. Sentem meus amigos, tenho certeza, no final sairemos fortalecido.
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