Já
fui a vários shows dos racionais e em todos eles tem um pequeno discurso
político. Quase sempre do Mano Brown só uma vez, eu lembro, foi o KL se
dirigindo ao público. Falou da Chacina na Baixada Fluminense, uma delas, a que
matou mais gente nessas últimas décadas.
Essa
semana em uma revista estava à notícia de mais uma declaração do cara que tem
todo o meu respeito e admiração. Penso ter sido no show da Mangueira (manga
rosa), não importa, o relevante, pelas palavras ditas, é o Brown não ter se
ligado que a favela silenciou porque a Dilma (PT) nunca fechou com a favela.
Assim como outros petistas falta autocrítica e humildade para reconhecer que
foram derrubados pelos alicerces usados para manter o poder. Não coloca a culpa
no povo, mano. Não faça isso com a gente.
Nosso
povo silenciou por não querer se meter em uma "treta burguesa" por
causa do poder. Por não perceber o risco a democracia e só não percebeu isso
por não usufruir a dita cuja no seu dia a dia. Sim, irmão, o “proceder” correto
era defender a democracia a qualquer custo, mas quem de nós, da periferia, a
conhece no seu dia a dia? Palavra bonita dita por engravatados e pessoas com
bom linguajar e desconhecidas pela nossa gente.
Deveríamos
ter defendido o PT? Por quê? Sim, a favela teve conquistas, querem tirar o
pouco conseguido, e isso ocorreu em parte do governo Lula e Dilma, mas foi
pouco demais diante do que precisamos e merecemos. “Minha média é dez, nove e
meio nem rola”, lembra? Queremos muito. Tivemos pouco.
A
Globo é a mesma de sempre. Não mudou nada.
A manipulação midiática também. Comece por “casa” a sua crítica. Você
não cedeu a TV aberta, tentou se manter “firmão” é verdade, mas eu me lembro de
outros integrantes do Racionais indo em programa televisivos. Assim como, não
sejamos desmemoriados, faz muito o rap nacional não rejeita a grande mídia.
Tempos
difíceis virão eu tenho certeza. E infelizmente os castelos de areia tipo
"favela tem vídeo game e vocês chorando miséria" vão cair. Não
adianta colocar a culpa no povo por erros que não são nossos. Não adianta
ressentir pela favela ter se recusado a "comprar" um barulho de quem
estendeu uma mão e deu pão e estendeu a outra mão dando tapa.
Continuo
sendo um dos cinqüenta mil da década de noventa. Um daqueles que te seguiu e
depois alçou vôos maiores. Os moleques de hoje farão a mesma coisa. Não se
preocupe. Seguem-te hoje e amanhã, se Deus quiser, estarão por aí militando,
lutando, se opondo tendo parte de si formada pelo seu rap e pelas suas
palavras.
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