sexta-feira, 30 de março de 2018

O PT e os Conservadores


Fundado por uma elite intelectual junto com sindicatos e tendo em seu maior nome um sindicalista nordestino com fama de analfabeto. Assim foi o PT na primeira eleição presidencial  pós democracia e durante os anos vindouros.
Três  eleições (para presidente) perdidas por diferentes motivos e os petistas perceberam a necessidade  de ir para o centro apostando em um discurso conciliador permitindo os votos da classe média  reacionária e empresários.  Uma conciliação de classes reunindo os interesses de todos em um guarda chuva ideológico e econômico. Para uns a esperança de finalmente chegar ao poder  alguém distante das oligarquias e para outros somente a certeza e promessa de que nada ia mudar na esfera econômica.
O PT em 2002 não oferecia riscos somente esperanças para muitos e certezas para outros.  Conservadores desgastados com Fernando Henrique tendo de Lula  e o PT a impressão de poucas mudanças na economia  e na sociedade se sentiram a vontade.  Podiam permitir a eleição do eterno sindicalista.
Ocorre que no governo PT o mundo mudou e é claro o Brasil não ficou de lado.  A revolução tecnológica trazendo consigo a internet, novos aparelhos eletrônicos e principalmente “voz” ou amplificação de “voz” permitindo uma procura de representatividade foram partes dessas mudanças.
Gays e suas pautas (legítimas), feminismo, liberação das drogas começaram a ser discutidos e em alguns casos com pequenas vitórias (cotas no ensino superior, redução da miserabilidade, etc.).  As barreiras são grandes, mas os avanços são inexoráveis e por mais que tentem deter a cada dia algo muda (para melhor).
A economia permaneceu estável e causando melhoras em todos os extratos sociais.  O poder de compra, aumento real do salário mínimo, acesso aos bens de consumo fazia do “barbudo” um “sapo” palatável tal qual tinha dito o Brizola e não a toa permitiu sua reeleição, porém já em  2006 era possível notar o crescimento do antipetismo  e da resistência conservadora aos novos “ventos”.
Quando um conservador diz “votei no PT” e hoje destila seu ódio é por culpar o partido por essas mudanças. Ele vê na militância do PT, seus eleitores e políticos os causadores  dos seus incômodos. E joga o PT pra esquerda ora chamando de comunista ora chamando de esquerdista ou associando  pautas progressistas a “esquerdismo”.
Não é difícil perceber  a agressividade de muitos quando eu falo que o PT não é de esquerda. Admitir isso é admitir que o centro aceita essas mudanças, é admitir que pautas sociais sejam demandas de qualquer um desejando melhorias e mudanças. 
E como eles reagiram? Com o recrudescimento do antipetismo  e procura por candidatos representando seus pensamentos e defesas do status quo.
Por aí não é difícil encontrar quem se diga liberal na economia e conservador nos costumes (até presidenciável usa esse discurso) ou se dizendo de centro “embora concorde com muitas pautas defendidas por candidato X”.
E quais são as pautas defendidas? Aquelas responsáveis por resguardar os privilégios. O antipetismo dedicado de muitos conservadores encastelados em cargos públicos  ou em suas “ilhas” é no fundo não admitir as mudanças no mundo. É falar aos quatros cantos sua ojeriza a corrupção, mas não se importar muito com candidatos de outros partidos. É nunca perdoar as mudanças comportamentais e culpar a esquerda por elas. É uma tentativa desesperada de preservar valores conservadores que em 2002 não estavam em risco com a eleição do Lula. É mentir dizendo ter sido “enganado” no primeiro mandato do Lula.


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