Fundado por uma elite intelectual
junto com sindicatos e tendo em seu maior nome um sindicalista nordestino com
fama de analfabeto. Assim foi o PT na primeira eleição presidencial pós democracia e durante os anos vindouros.
Três eleições (para presidente) perdidas por
diferentes motivos e os petistas perceberam a necessidade de ir para o centro apostando em um discurso
conciliador permitindo os votos da classe média reacionária e empresários. Uma conciliação de classes reunindo os
interesses de todos em um guarda chuva ideológico e econômico. Para uns a
esperança de finalmente chegar ao poder
alguém distante das oligarquias e para outros somente a certeza e
promessa de que nada ia mudar na esfera econômica.
O PT em 2002 não oferecia riscos
somente esperanças para muitos e certezas para outros. Conservadores desgastados com Fernando
Henrique tendo de Lula e o PT a impressão
de poucas mudanças na economia e na
sociedade se sentiram a vontade. Podiam
permitir a eleição do eterno sindicalista.
Ocorre que no governo PT o mundo mudou
e é claro o Brasil não ficou de lado. A
revolução tecnológica trazendo consigo a internet, novos aparelhos eletrônicos
e principalmente “voz” ou amplificação de “voz” permitindo uma procura de
representatividade foram partes dessas mudanças.
Gays e suas pautas (legítimas),
feminismo, liberação das drogas começaram a ser discutidos e em alguns casos
com pequenas vitórias (cotas no ensino superior, redução da miserabilidade, etc.). As barreiras são grandes, mas os avanços são
inexoráveis e por mais que tentem deter a cada dia algo muda (para melhor).
A economia permaneceu estável e
causando melhoras em todos os extratos sociais.
O poder de compra, aumento real do salário mínimo, acesso aos bens de
consumo fazia do “barbudo” um “sapo” palatável tal qual tinha dito o Brizola e
não a toa permitiu sua reeleição, porém já em
2006 era possível notar o crescimento do antipetismo e da resistência conservadora aos novos “ventos”.
Quando um conservador diz “votei no PT”
e hoje destila seu ódio é por culpar o partido por essas mudanças. Ele vê na
militância do PT, seus eleitores e políticos os causadores dos seus incômodos. E joga o PT pra
esquerda ora chamando de comunista ora chamando de esquerdista ou
associando pautas progressistas a “esquerdismo”.
Não é difícil perceber a agressividade de muitos quando eu falo que o
PT não é de esquerda. Admitir isso é admitir que o centro aceita essas mudanças,
é admitir que pautas sociais sejam demandas de qualquer um desejando melhorias
e mudanças.
E como eles reagiram? Com o
recrudescimento do antipetismo e procura
por candidatos representando seus pensamentos e defesas do status quo.
Por aí não é difícil encontrar quem se
diga liberal na economia e conservador nos costumes (até presidenciável usa
esse discurso) ou se dizendo de centro “embora concorde com muitas pautas
defendidas por candidato X”.
E quais são as pautas defendidas?
Aquelas responsáveis por resguardar os privilégios. O antipetismo dedicado de
muitos conservadores encastelados em cargos públicos ou em suas “ilhas” é no fundo não admitir as
mudanças no mundo. É falar aos quatros cantos sua ojeriza a corrupção, mas não
se importar muito com candidatos de outros partidos. É nunca perdoar as
mudanças comportamentais e culpar a esquerda por elas. É uma tentativa
desesperada de preservar valores conservadores que em 2002 não estavam em risco
com a eleição do Lula. É mentir dizendo ter sido “enganado” no primeiro mandato
do Lula.
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