Minha vida é marcada
pelas copas do mundo que eu vi. Entre uma copa e outra a vida vai
mudando. O tempo passa e os sentimentos mudam e às vezes passo a ver copas
antigas com outros olhos. Às vezes, só às vezes, até relevo algum vilão.
Esse é o último texto pré copa. Quando
a bola rolar amanhã estarei vivendo nova história e que espero contar em 2022 e
comecei em 1986 no México.
1986 – A mão
operada, tristeza na rua, eu não tinha álbum, mas tinha as
figurinhas vindas em chicletes ping pong.
Morava na primeira casa, onde eu vivi
toda a infância, inexistente hoje em dia.
Vi o último jogo na casa da (saudosa)
Tina e Jurema. Não lembro quem estava comigo, mas eram muitos. Voltei
desconsolado pela calçada. Nunca me esqueço do clima triste.
1990 – Parte na
casa da frente e parte na casa dos fundos colecionei meu primeiro álbum e até
hoje o guardo incompleto. Rasgado, faltam duas figurinhas, o quero assim.
Lembro que contra a primeira fase foi
na primeira casa e o jogo contra a Argentina na segunda. Difícil conter o
choro, a decepção, tantos reunidos, saudosa Ida, saudades tio, o moleque virou
um esquerdista mais radical do que vocês, veja só, tantos gols perdidos.
1994 – Taffarel, Romário,
Galvão narrando. Gol contra Holanda, final no terraço da Dina,
Jesus, só a imprudência adolescente para me fazer assistir a disputa de
pênaltis.
Estávamos na casa de trás, álbum
completo, guardado nos meus pertences, parte da copa em uma TV preta
e branca toda ferrada. Os tempos eram duros, mas eu tinha esperanças de
melhoras.
1998 – Um dos piores anos
da minha vida. A derrota pra França foi mais uma dos momentos ruins.
O machismo idiota dizia “homem com foto
de homem é gay” e a idiotice dos adultos dizia “colecionar álbum é coisa de
criança”. Também por isso não tive o álbum, não comprei depois e hoje um custa
mais de 500 reais. Não tenho.
A seleção foi até a final, a tremedeira
do Ronaldinho nos custou um título e eu necessitei crescer na base da
porrada. A vida exigia.
2002 – Um novo caminho, novos
amigos, começa de sonhos e uma birra com a seleção. Detestava aquele time, não
confiava em uma boa campanha, odiei a polêmica da imprensa forçando
a barra pro Romário ser convocado. Estávamos de volta à casa da frente já toda
modificada, finalmente tinha um emprego e uma TV a cabo (um luxo que eu me
permiti).
Assisti a final com dona mãe e quase chorei junto com o Ronaldo no ombro do Felipão.
Não colecionei o álbum, mas comprei completo tempos depois. Quase não mexo nele. É como se fosse um intruso junto com os outros que colei cada figurinha.
Assisti a final com dona mãe e quase chorei junto com o Ronaldo no ombro do Felipão.
Não colecionei o álbum, mas comprei completo tempos depois. Quase não mexo nele. É como se fosse um intruso junto com os outros que colei cada figurinha.
2006 – Minha
vida iniciava um novo ciclo e eu estava lutando muito para estabilizar tudo.
Várias mudanças e definitivamente eu tinha começado a assumir várias
responsabilidades.
A copa de 2006 não foi das melhores e
pra piorar era o auge de uma geração chata pra caralho em época de copa. (dá
pra escrever outro texto somente sobre isso.)
Estávamos no apartamento, a TV a cabo tinha um delay monstro e a vizinhança gritou gol antes de eu ver. Por isso procurei uma antena velha e vi os primeiros jogos na analógica.
Estávamos no apartamento, a TV a cabo tinha um delay monstro e a vizinhança gritou gol antes de eu ver. Por isso procurei uma antena velha e vi os primeiros jogos na analógica.
Zidane deu um recital comigo em um
plantão vendo a derrota. Botafogo estava silencioso, triste, outra tarde
melancólica guardada na mente.
Voltei a colecionar os álbuns da copa e alegremente percebi que tinha virado uma febre. Curti muito a Itália voltando a ser campeã do mundo.
Voltei a colecionar os álbuns da copa e alegremente percebi que tinha virado uma febre. Curti muito a Itália voltando a ser campeã do mundo.
2010 – O ano que o Flu
foi campeão brasileiro, eu estava terminando a faculdade, tentava me equilibrar
perante os vendavais da vida.
Gostava da seleção do Dunga, mas
sabia que ia dá merda se o Kaká não jogasse bem. Não jogou. A derrota deu aos
detratores do Dunga o que lhe tinham sido tirados em 1994.
Vi aquela derrota no apto e lamentei não ter chegado a final. Pela primeira vez colecionei um álbum de forma fácil.
Vi aquela derrota no apto e lamentei não ter chegado a final. Pela primeira vez colecionei um álbum de forma fácil.
2014 – Começo de uma
reconstrução que nortearia os 4 anos vindouros. Copa em casa, Espanha e Chile
ficará eternamente no meu coração, uma seleção covarde e o auge da chatice
daqueles citados em 2006. 7 a 1, humilhação que eu só vi os primeiros 20 minutos
e abandonei o jogo. A copa das copas. Uma primeira fase com média de gols alta
e gols lindos. O álbum foi fácil de colecionar, esperado com ansiedade por
vários.
2018 – sendo escrita a partir de amanhã.
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