Já tinha deixado pudores e sonhos. A cidade não era mais dele, os sonhos e tentativas de adequações sociais tinha deixado de lado. Não era pra si, não era o que queria ou conseguiria ser. Caminhava pelas sarjetas entre marginalizados.
Parava onde tinha porta aberta, entrava sem ser chamado, se sentava sem pedir licença e não olhava pros lados.
"Você é um cafajeste". A afirmação não foi uma reprimenda. Dita com naturalidade não teve a intenção de julgar o caráter. Foi como se afirmasse o óbvio e ficou uma dúvida se não havia um elogio escondido nas palavras.
Não se fez de rogado. Sorriu, disse que sim, era, não negava. Pegou o copo deu mais um gole e seguiu o seu caminho. Tinha sido em tom elogioso perguntou a si. Decidiu que sim.
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