sexta-feira, 9 de julho de 2010

A cidade da bruxa



- La ciudad da bruja cayó mi comandante . Terminou.

-  Menos uma. Finalmente a guerra terminou.

-  Si. Acabou.
 
- Seu dinheiro estará na conta essa tarde. Você foi um soldado competente. Agradeço seus serviços.

- Gracias. Hasta la vista.

Após se despedir,  Raul o "espanhol" se vira e vai embora. Caminha alguns passos se volta e fala:

-  En la batalha final yo quero está. Dessa vez como seu soldado e no como mercenário. Se me aceitar.

   Diz isso e recomeça seu caminho até a saída. Eu meneio a cabeça em assentimento, surpreso e me perguntando o porque dessa decisão. Não sei quem ele é, sempre o tratei pelo apelido de "espanhol", um dos muitos mercenários usados nas nossas guerras. Sempre lutou por muito dinheiro e deixava isso bem claro para todos. Não era hipócrita, não jurava amor a nenhuma pátria, não erguia bandeiras, exigia apenas o pagamento combinado. Qual o seu motivo para dessa vez lutar por algo diferente do dinheiro? Permaneço olhando suas costas com uma esperança dele se voltar e tirar minhas dúvidas. Fico sem respostas, com minhas indagações. O que se passa naquela alma eu nunca saberei.
      Raul continua sua caminhada sem olhar para trás. Aprendeu a sempre seguir em frente, não importa o que aconteça. Sufoca sua dor e continua sua jornada. Não está feliz com o fim da guerra. O final dela também foi o de uma historia nunca revelada a ninguém. Promete a si mesmo permanecer vivo até a guerra final. Não se importa com sua vida, mas Caio merece ver o final dessa guerra. Mesmo não estando mais na terra. Separados pela morte.

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