Sentado observava os jogadores. Conhecia seus comportamentos e poderia com rara certeza apontar quem estava ali por causa do vício, lazer ou para passar o tempo. Sorriu quando percebeu uma bela mulher se aproximar de um ganhador, a banca nunca perde, pensou.
Olhou para seu copo, e remoeu seu pensamento, um dia tinha achado que iria sair dali ganhador e se voltasse seria para mostrar-se como um vencedor. "Quantos enganos comete uma mente jovem" tinha sido uma das lições aprendidas nos salões de jogos. Não a mais importante, essa tinha sido a de sempre sair do jogo quando estivesse no lucro ou enquanto o prejuízo fosse pouco.
Tinha conhecido os dois lados da moeda, saindo tanto com ganhos quanto com perdas. O problema era que sempre tinha retornado para mais uma rodada. Na roleta ou nas cartas, só importava a emoção do risco. Financiou essa emoção enquanto teve dinheiro, ganhou e perdeu, saindo dali prometendo nunca mais retornar, quebrando suas promessas uma a uma, como se não tivesse palavra.
Um dia percebeu que era a última tentativa, se perdesse só jogaria assinando duplicatas. Mesmo assim sentou na mesa achando que o fim não chegaria. Perdeu e pagou, mais um final de jogo com ele sendo perdedor. Pensou em assinar uma duplicata, se endividar com o que não tinha mas poderia futuramente ter. Então lembrou-se da lição aprendida a duras penas e saiu do jogo. Orgulho de jogador ferido, evitando olhares.
Desde então retorna ao cassino por hábito, sem dinheiro para jogar, procura uma mesa, senta-se, pede uma bebida, observa o salão. Um dia volta a jogar, pensa. Um dia ainda consigo de volta o que é meu. Enquanto isso a roleta gira, as cartas são dadas, as máquinas permanecem ligadas, jogadores comemoram ou praguejam. A vida no cassino é igual a vida em qualquer lugar. Não para.
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