Parada na janela, olhava a rua. Não chorava, as lágrimas já haviam secado anos atrás. Aprendera a sufocar a dor para continuar a viver. Esperava, como várias mulheres em outras casas daquele país. Mães, namoradas, esposas, amantes, não importava, era como se fosse uma sina feminina, ver seus homens irem para a guerra sem saber se voltavam e como voltavam.
Olhou mais uma vez para fora, e sentiu a dor da solidão misturada com o temor de nunca mais ve-lo. Fez uma prece silenciosa, ainda que já não acreditasse em um Deus capaz de fazer sofrer tanto assim. Olhos secos, face sem expressão, queria fazer planos, ter sonhos. Sorriu amargamente. isso era para quem não via seus homens irem guerrear. A mulheres iguais a ela restava apenas a esperança de um dia as batalhas terminarem, a paz ser selada e entre os sobreviventes estar quem lhe importava.
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