- Vamos lá cara não vai agora, marca um dez até as coisas melhorar. A gente vai sair dessa, já saímos de tantas não vai ser agora que eu vou falhar. Você me conhece, eu cumpro minhas promessas até as mais difíceis e não sou de deixar amigos na mão e nem você é, correto. Então irmão, vai entrar "numa" de partir dentro de um carro nesse final do mundo sem nem ao menos estar perto de casa, não tem como meu amigo. Segura mais um pouco, já estivemos em situações piores e ainda temos muito que viver. Vai morrer sem voltar a andar nas areias de Ipanema, cara, sem olhar o Cristo Redentor mais uma vez. Faz isso não, você nunca foi canalha, tantos já me traíram nessa vida e sua amizade continua até hoje do jeito que surgiu não vai me deixar na mão agora, a favela te espera com aquele pagode esperto e as mulheres gostosas. Vou chegar nesse hospital a tempo, você sabe que eu vou, já fiz coisas mais difíceis do que dirigir á duzentos por hora em uma rua qualquer, não é mesmo. Já passamos por tanta coisa juntos e ainda falta outras tantas, ainda temos que ver o Fluminense ser campeão da libertadores não vai fazer igual ao Caio que partiu antes de vermos o tricolor ser campeão brasileiro novamente. Lembra como você lamentou a falta dele ao final do jogo, não quero sentir a falta de dois amigos no próximo titulo, não mereço isso. Ainda temos muito o que viver, não é hora de ir, falta muita coisa para fazer. Se segura aí, estamos chegando, viu, te falei que ia dirigir que nem piloto de fuga. Chegamos ao hospital meu mano. Você será socorrido e viverá muito...
Sai do carro gritando com seu amigo nos braços. Médicos o tiram de suas mãos, colocam em uma maca e desaparecem. Fica sozinho olhando o vazio, pedindo a Deus mais um favor sabendo que não merece ser atendido, mas quem sabe. Fica esperando as notícias, encostado na parede tentando se consolar. Assim é a guerra, soldados são mortais.
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