sexta-feira, 17 de junho de 2011

Último Desejo

      Recebi a notícia quando chegava ao palácio. Sem pensar fui até seu encontro e mesmo tendo traumas de hospitais entrei nele indo direto ao seu leito. Tinha um curativo enorme no peito respirava com dificuldade e ao me ver apenas conseguiu sussurrar "você veio meu comandante".
   Limpei as lágrimas que teimavam em cair, são tantas causadas por essa guerra, apertei sua mão e as palavras começaram a fluir do meu coração, sem me preocupar em esconder a emoção sentida.
   - Te acertaram meu amigo. Desgraçadamente te acertaram de forma mortal. Não era para eu ter ido, você me alertou, aquele local é perigoso eu ficaria em risco, mas a teimosia foi mais forte e agora me arrependo amargamente. Um idiota qualquer querendo fama, se achando terrorista atirou em mim e não me acertou de morte. Se eu tivesse saído antes que ele atirasse mas não tenho o dom de prever o futuro e fiquei, atirou de longe, como fazem os covardes e acertou você meu guarda costa que me protegeu por tanto tempo. Você esteve junto a mim desde a batalha do rio vermelho integrando a minha guarda pessoal, tinha um sexto sentido para livrar a gente de perigo meu amigo, só que dessa vez não dei atenção aos seus avisos, fui pego desprevenido, enquanto aquele desgraçado trazia a dor para a gente.  Quando me disseram qual era seu último desejo eu não hesitei em vir e aqui estou eu, satisfazendo seu último pedido. Aproveito e agradeço por tudo o que você fez prometo que a gente vai sair dessa, tenho certeza disso. Chega de tanta desgraça no meu reino, chega de ver meus soldados serem executados um a um por essa guerra maldita. Eu te prometo que outros não vão morrer por causa da minha teimosia.
  Quando eu acabei de falar, meu soldado olhou, sussurrou um “obrigado por ter vindo”, suspirou e morreu. Algumas pessoas choraram sua morte, eu deixo as lágrimas caírem livremente, mordendo os lábios em um silêncio dolorido. Mais uma mãe que chora, mais uma viúva no reino, mais um órfão, sabe-se Deus até quando.
   Virei-me e saí do hospital. Passos firmes, secando o rosto com mãos tremulas, seguindo em frente, até o final disso tudo. Não posso assinar uma rendição desastrosa. A única alternativa é lutar até o fim.

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