terça-feira, 5 de julho de 2011

ESPN x SPORTV (Parte I)

   Segunda feira a noite assistia um programa esportivo na ESPN quando o jornalista Mauro César Pereira começou a comentar sobre a Copa América e expôs seus argumentos sobre o assunto. Chamou-me a atenção a quantidade de vezes que ele usou a expressão “seleção da CBF” enquanto defendia o fato de as pessoas não se importarem mais com a seleção e ser essa uma tendência mundial citando as mensagens que recebe como uma prova dessa tendência.
  Já escrevi em um post anterior sobre a moda de torcer contra a seleção brasileira e reconheço (seria um tolo se não reconhecesse) que a CBF conseguiu aos poucos afastar o torcedor da seleção brasileira de futebol. O argumento de ser uma tendência mundial as pessoas não se importarem com a seleção eu tenho muitas dúvidas, principalmente quando lembro da comemoração espanhola com o êxito na última copa do mundo e da reação italiana com o fracasso nessa competição. 
   Isso posto, gostaria de retornar a expressão “seleção da CBF” repetida de tal forma que ao final eu sendo um torcedor de seleção quase tive dúvidas quanto a minha convicção e não me surpreenderei se usar esse termo de tão presente que se torna quando assistimos a ESPN ou outros jornalistas que não estão na SPORTV/Rede Globo empresa que detém os direitos de transmitir os jogos da seleção.
   A ESPN investiu no futebol europeu de clubes, transmitindo campeonatos nacionais e europeus com os melhores times do mundo e para ter um público para seu produto começou a formar uma nova geração que torce por times estrangeiros e brasileiros ou apenas para estrangeiros, geração essa que eu chamo de “geração ESPN”.
   Na década de oitenta eram comuns as pessoas que moravam no Nordeste, por exemplo, torcerem por times do Rio de Janeiro ou São Paulo unicamente ou torcerem também para um time local. Na década atual é exatamente o que ocorre mas dessa vez o time local é o brasileiro e o mais famoso é um europeu com algumas vezes se recusando a ser público do futebol brasileiro.
   A ESPN consegue assim ter um público garantido para seus produtos enquanto tivermos torcedores brasileiros com suas atenções para o estrangeiro e chegando a esse ponto eu me pergunto: e se a ESPN transmitisse os jogos da seleção brasileira, continuaria a ser a seleção da CBF? Seria tão conveniente o fortalecimento do amor ao clube em detrimento da identificação com a seleção do seu país?

Nenhum comentário:

Postar um comentário