Itamar Franco vira vice do Fernando Collor por ser influente em Minas Gerais estado que ao lado de São Paulo são os mais influentes politicamente no Brasil e principalmente por ser um político que não causava desconforto a ninguém. Respeitado até pelos adversários, sem historias mal contadas em sua vida pregressa, o mineiro era o vice-ideal para Collor nas eleições presidenciais de oitenta e nove.
Vira presidente quando ocorre à queda do presidente alagoano, de coadjuvante na política nacional passa a ser o ator principal ao menos nas aparições públicas, pois nos bastidores sua relevância era mínima na escolha do sucessor, conta com a simpatia do povo brasileiro por se mostrar afável e com uma certa dose de folclore em torno de sai, sem grandes avanços nas questões nacionais.
A inflação brasileira era uma anomalia, algo tão excêntrico que chamava a atenção do mundo, planos econômicos já tinham sido testados a exaustão sem bons resultados e o governo Itamar estava fadado a ser mais um que não tinha conseguido combatê-la a contento se conformando em ser uma passagem de poder para o novo presidente em noventa e quatro.
Sendo objeto de estudos ao longo de anos devido a sua excentricidade e alvo dos maias variados planos econômicos, a inflação era vista com toda razão como o grande mal brasileiro e um grupo de economistas criou um plano novo com medidas que ainda não tinham sido tomadas, inovador e de altíssimo risco.
O ministério da fazenda de importância estratégica já ocupado pelo PSDB vendo o favoritismo da esquerda na figura do Lula não tendo nada a perder resolveu tentar mais uma solução, se desse certo ou ao menos durasse até depois das eleições conseguiam se eleger, se desse errado caía na mão do Itamar e todos estariam com a biografia intocável para as eleições.
O plano real como se sabe foi um sucesso se mostrando um trabalho genial, contando com a colaboração do povo brasileiro (esse mesmo que muitos acham burros, idiotas, etc.) e levou o candidato do PSDB a cadeira presidencial, Fernando Henrique, sociólogo que tinha sido ministro da fazenda, tornou-se o candidato do plano real enquanto a equipe de economistas verdadeira criadora do plano atrás do palco ia aplicando em doses homeopáticas as medidas para o sucesso brasileiro na economia.
Fernando Henrique eleito, Itamar Franco já não servia para nada e foi assim descartado retornando as Minas Gerais onde sempre foi um político influente, no cenário nacional nunca teve grande relevância nem depois do seu plano.
Sempre mostrado como o “pai do real” ou alguém que decidiu por em prática o plano, na minha opinião ele apenas assinou o decidido. Não me lembro de denúncias de corrupção contra ele, e se analisarmos o seu governo na década de noventa veremos umas atitudes idiotas e talvez tenha sido esse o seu maior mérito quando presidente, não ter cometido idiotices nos anos que estava lá e ter entregue o país ao sucessor como manda a democracia.
Talvez esse tenha sido o maior mérito do político mineiro e que não é reconhecido, por ser um político sem contestação pode garantir um Brasil democrático pós impeachment.
Nenhum comentário:
Postar um comentário