Comecei a escutar rap nacional na década de noventa quando os racionais saíam de São Paulo e começava a ser conhecido no Brasil devido a sua música. Encontrei-me naquela forma de pensar exposta nas letras pelo grupo e como eram polemicas eu me sentia diferente quando dizia para alguém que curtia eles. Comecei a me sentir parte do hiphop e quanto mais chamavam a atenção mais eu gostava de me identificar como do movimento. As pessoas me olhavam estranho algumas criticavam e eu me sentia parte de algo que não fazia parte da maioria.
Na década passada aos poucos o rap nacional foi saindo do gueto e conquistando espaço, naturalmente o seu público foi mudando também. MV Bill, Racionais e outros começaram querendo ou não a ser partes de uma moda onde ser do rap era algo legal para a imagem. Vieram outros MCs que continuaram esse processo de digamos assim popularização do rap e chegamos a um ponto onde o Bill participa da dança dos famosos, algo que não se poderia nem cogitar em outros tempos. O rap nacional virou moda, deixou de ser uma minoria que dava um status de diferente a pessoa (nós éramos os consciente os outros alienados) e se transformou em algo igual às outras músicas.
O leitor dever estar pensando o que isso tem a ver com torcer contra a seleção brasileira e eu respondo, assim como o rap virou moda.
Quando meu vizinho em noventa quatro torceu contra a seleção e para os argentinos principalmente ficou mal visto por aquela atitude, uma pessoa que era ironizada por aquilo. O tempo passou e quem torce contra a seleção passou a fazer parte de uma moda, até mesmo quem o fazia por algum motivo ficou caricato demais, parecendo uma Maria vai com as outras em algum momento. Na copa passada, o técnico não chamou fulano por isso vou torcer contra, pararam o campeonato brasileiro, vou torcer contra, adiaram a novela por causa da copa, vou torcer contra a seleção, isso sem contar àqueles motivos que são hipócritas, retardados ou discutíveis, como torcer contra a seleção por causa do Ricardo Teixeira, mas torcer para seleção Argentina do Julio Grondona, torcer contra a seleção brasileira porque existem moradores de rua ou torcer contra porque a CBF é corrupta, mas torcer para o time de coração onde o presidente é tão corrupto quanto.
Essa tendência a torcer contra a seleção brasileira é incentivada ou aplaudida por jornalistas, coincidentemente aqueles que trabalham em emissoras sem os direitos de transmitir jogos do Brasil. A rede Globo sempre fez questão de incentivar a torcida pela seleção muitas vezes sendo irritante com isso e no Brasil atual sua principal concorrente na TV a cabo de forma algumas vezes sutil outras vezes explícita faz o contrário. Em outra ocasião trato dessa oposição ESPN x SPORTV, por hora termino escrevendo que torcer contra a seleção virou moda, deixou de ser algo diferente, assim como aconteceu com o rap nacional.
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