terça-feira, 12 de julho de 2011

Nostalgia

   Eu sempre olho enviesado para o saudosismo e me policio para não ser um, daqueles chatos e/ou idiotas achando que tudo antigamente era melhor. Seja o futebol, a educação das crianças ou qualquer outra coisa, sempre escuto aquela frase “bons tempos”. Por isso reluto em dizer isso (ao menos em público, pois com meus botões sempre me pego fazendo isso), mas está batendo maior saudade do rap nacional de quanto ele ainda estava virando moda, mas não tinha se desvirtuado tanto. Sim, o hiphop nacional já não é o mesmo, parte parou no tempo a outra parte seguiu um caminho que eu não simpatizo e eu penso “tempos bom eram aqueles” onde ser um “mano” era uma identidade, um compromisso com algo.
  Eu escutei racionais a primeira vez na década de 90 quando ele já era um sucesso e encontrei nesse movimento uma ideologia adequada aos meus sentimentos, o rapper, fosse o Mano Brown ou o MV Bill me representava, falava por mim. Na segunda metade da década passada eu enveredei por outro caminho, fui buscar conhecimentos em outras fontes, ansioso por saber mais e me afastei do rap nacional. De longe fiquei olhando por alguns anos, deixando de lado a minha identidade de “mano” para ser outro mesmo deixando claro ter permanecido um ouvinte desse ritmo musical.
   Eu mudei meu caminho e quem trabalhava com rap também, cada um sabe onde o calo aperta o que quer da vida e como conseguir isso e quando eu tentei voltar ao movimento triste percebi uma estagnação e uma deterioração no pensamento da geração que veio atrás da minha.
   O rap cada dia mais está perdendo espaço para o funk, foi seduzido e está sendo usado e os que tentaram permanecer com a proposta de mudar o Brasil de alguma forma não se deram conta, o tempo passa, os pensamentos devem ser reciclados, muita coisa mudou.
   Hoje eu comecei a escutar um rap qualquer, e mais uma vez pensei comigo “bons tempos aquele”.

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