quarta-feira, 20 de julho de 2011
Perdas
Aprendi no pôquer que, em algum momento, tudo começa a dar errado e começamos a perder consecutivamente. Nesse momento, o viciado se endivida e o esperto sai da mesa, dá um basta e vai embora.
Não adianta insistir, é como se fosse um feitiço interferindo para que tudo dê errado, chega inesperadamente e dessa forma se vai sem deixar saudades e alguns lamentos. O problema é quando essa má fase só vai embora quando deixa o jogador quebrado, sem condições de continuar a jogar, com duplicatas a pagar, dívidas impagáveis, jogando apenas para tirar o prejuízo e sem prazer ou prometendo e cumprindo nunca mais voltar.
Tem certos momentos em nossas vidas parecidos com essa má fase do pôquer e, infelizmente, nem todos podem abandonar a mesa e retornar depois; alguns conseguem, outros desistem para sempre.
Quando tudo começou a dar errado, eu não consigo lembrar. Talvez tenha sido depois da última guerra, quando nosso exército derrotado retornou com o moral baixo e eu descobri que não tinha mais casa, nem lar, nem quem me esperasse. Como sempre fiz em minha vida, tentei dar a volta por cima, fui à luta, dessa vez sem armas de fogo; segui em frente e, tal como em uma mesa de jogo "amaldiçoada", fui perdendo, rodada após rodada, esperando boas cartas, blefando quando não deveria, pagando para ver na hora errada.
Não me arrependo, mas confesso, se tivesse chances, faria escolhas diferentes, jogaria de outra forma, talvez.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário