quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Atirador (III)

   Fiquei olhando aquele que deveria ser meu inimigo e por alguns instantes senti pena dele. Ele não tinha nada a perder e isso é algo triste e perigoso. O que eu poderia oferecer a ele era a vida e não considerei isso uma boa oferta e tenho quase certeza ele também não iria considerar não nesse momento, de qualquer forma tentei mais uma vez.
  - Se você abaixar a arma sua vida será poupada, será considerado um prisioneiro de guerra e logo voltará a seu país para continuar sua história...
  - Não adianta continuar. Eu desisti, só quero morrer com honra, acho que eu mereço ao menos isso. Minha luta é por isso apenas e faço questão disso. Vá embora, se continuar aqui vou desconsiderar a bandeira branca, atirar em você. Lembre-se, eu não tenho nada a perder.
  - Ok, eu tentei, Deus sabe disso, vou-me com a consciência tranqüila.
  Retornei ao meu posto, sem deixar de sentir mais uma vez tristeza por quem se tivesse oportunidade me mataria sem pensar duas vezes. Sorri só eu mesmo pensei e dei ordens para cercá-lo sem se expor. Chega de mortes, gritei, quero todos de volta para suas casas com vida.
  O dia caiu e a noite chegou com o mirante cercado, sem tiros, com todos atento ao menor movimento. A tensão no ar, armas em punho preparadas para a morte, o medo presente em cada coração de não retornar logo agora com tudo tão próximo do fim.
  Era quase meia noite quando um estampido ecoou pela noite vindo do mirante. O soldado que vigiava o atirador avisou o suicídio, meu inimigo preferiu se matar rapidamente em vez de morrer aos poucos em um lugar qualquer.

Parte I: http://escorpiaotricolor.blogspot.com/2011/07/o-atirador-parte-i.html

Parte II:
http://escorpiaotricolor.blogspot.com/2011/07/o-atirador-parte-ii.html

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