quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Acampamento de Sangue


Vou andando pelo acampamento arrasado, me desvio de obstáculos  fumengantes, vejo barracas arrasadas, olhares assustados, rostos preocupados, tristezas no ar. Me olham com um certo ar de interrogação. Como se me perguntassem, e agora, o que a gente faz, perdemos muito, alguns perderam tudo.
O Comandante dos soldados vem ao meu encontro. No seu rosto vejo raiva, misturada com uma dor mascarada inultimente. É a mesma  que eu sinto na minha alma, e faz meu coração sofrer muito. Ao redor, também não é diferente,  está no semblante de cada um. 
A forma como meu soldado está lidando com toda a situação só me faz sentir mais orgulho da sua coragem. Se fosse outro, já teria desabado, com tanta coisa acontecendo. É um guerreiro muito corajoso sem dúvidas, merece todo meu respeito, nessa situação, já vi muitos desertarem por covardia. 
Mais uma vez me recrimino, é duro  aceitar que errei mais uma vez. Como pude ser tão idiota, tão imbecil me pergunto,  agora isso não adianta, o mal já foi feito, e só resta os lamentos e a vontade de ter feito tudo certo. 
O comandante geral me chama de volta a realidade, dando ordens e fazendo perguntas. Me ponho a pensar mais uma vez, e dessa vez sou interrompido pelo comandante:
             -  Já reuni meus soldados, e estou tentando reconstruir o básico. E agora qual será as outras providências?
-    Quantos mortos?
-    Quinze (olhos para o chão).
-    Serão considerados heróis de guerra. Vamos reconstruir tudo, e continuar aqui.
-    Será que não é melhor sairmos, bater em retirada? Já sofremos bastante. Vamos ficar para sermos atacados novamente?
-    Sei que é um momento difícil mas vamos ficar. Isso vai ter volta, vamos nos vingar. 
-  Você sabe o que faz 
 Falando isso meu Comandante, ficou ao meu lado na minha visita ao resto do acampamento. Visitei os feridos e as viúvas. A cada um tentei dar um motivo para consolo ou alegria. Se tivesse juízo ia embora. Seja o que Deus quiser, talvez sofra revés mas se for embora nunca  vou me perdoar por não ter resistido. Não quero ser um covarde apesar de está em desvantage. O caminho é perigoso, mas eu vou pagar para ver, se amanhã perceber a ausência de qualquer chance de vitória então eu vou embora e não olho para trás.

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