segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tentativa de Mudanças


   Deveria estar lamentando a sorte madrasta, procurando um jeito de recuperar o prejuízo, lutando como em outras guerras, mas continuo sentado em uma esquina qualquer esperando cair do céu algo que não seja chuva. Teve um tempo distante onde as quedas não eram definitivas e eu continuava em frente sem deixar ninguém me deter. E foram tantas vezes em situações tão difíceis, quando deixei de fazer isso me pergunto sem saber responder.
    Não me rendi oficialmente, lá no fundo do coração continuo de armas em punho querendo guerrear, com vontade de retornar como se fosse à primeira vez. Não vou bancar o saudosista, aqueles não eram tempos bons, não era, na minha vida nunca teve tempo bom, no máximo alguns dias mais amenos com meses onde eu tive paz.
    Foi uma época onde eu lutava contra tudo e todos sem me acovardar para nenhuma situação, protegido por São Jorge, santo protetor dos guerreiros, de arma na mão era como se diz nas ruas do Rio de Janeiro pura disposição e topava qualquer parada se considerasse a causa justa. Agindo assim aprendi a ter honra quando duelasse com alguém e a valorizar quem me desse á mão em uma situação difícil, era um homem de fibra como diz o velho clichê e me orgulhava muito disso.
     Quando me tornei esse cara de agora eu não sei, nem me lembro quando a bebida começou a ser o único refúgio para minhas dores, só não quero permanecer assim, não mereço ter me tornado um derrotado sentado em um banco de praça olhando os sorrisos alheios sentindo saudade de um passado idealizado.
    É difícil recomeçar, as dores no corpo se confundem com as do coração e para isso não tem cura, embora o tempo possa amenizá-las e algumas vezes quem sabe nos fazer fingir o esquecimento das mesmas. O andar trôpego até se tornar firme faz tropeçar e infelizmente os tombos irão acontecer nos machucando novamente reabrindo velhas feridas, será doloroso demais, mas não se mover também dói embora me engane dizendo estar melhor. Não estou. A garrafa de bebida vazia, a carreira de cocaína e os remédios para dormir testemunham como estou e não é um relato agradável, não mesmo.  Não é hora de mudar e sim de me mover, um passo de cada vez, aceitando as porradas da vida até um dia quando me sentir forte sem álcool e drogas e puder lutar como em outros tempos.
   O passado não era um tempo bom, mas eu era um bom guerreiro e lutava com honra. Um dia pretendo voltar a fazer isso, quem sabe quando não deixar para amanhã o que deveria ser feito agora.

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