Na gíria da favela quando a casa cai é porque algo de importante e ruim aconteceu. Um acontecimento inesperado e capaz e destruidor de algo é isso que me vem à mente quando ouço alguém avisar que "a casa caiu" e foi essa a expressão usada por mim quando li sobre o livro "A privataria Tucana" no mural de um perfil no feiceboque mesmo sem ter lido o conteúdo (não fiz isso até agora).
Fiz essa afirmação por saber que o assunto privatização desde a década de noventa é um esqueleto no armário do PSDB e de seus candidatos algo como "eu sei o que vocês fizeram na década passada" que até então sempre foi tratada como um assunto menor, um pouco por causa de poucos se importarem com o assunto e também pela incapacidade da oposição de tratar do assunto indo além do "Fernando Henrique vendeu o Brasil" entre outros motivos.
Não me referia aos políticos envolvidos conforme expliquei depois quando ele me perguntou se eu acreditava na punição dos culpados envolvidos na roubalheira e sim a respeito da retirada daquela aura falsa de honestidade usada pelo principal partido da oposição para atacar o PT envolvido nos mensalões da vida. Desde que perderam o poder para o Partido dos Trabalhadores e o partido da situação se viu envolvido em vários escândalos, a oposição (leia-se PSDB) se travestiu de honesta esquecendo o passado e enganando os incautos, o livro poderia como parece está fazendo desmascarar essa farsa, trazer a luz para um período nebuloso e mal explicado da nossa história.
Ora, quem viveu na década de 90 e se interessa um pouco por política, sabe que as privatizações, necessárias ou não (depende do ponto de vista), tinha para usar um termo ameno cheiro de queimado e raciocinei que os políticos envolvidos iriam passar por dificuldades, mas não considerava que a chamada "grande mídia", ou seja, as grandes organizações que controlam os veículos de comunicação iriam jogar fora todo o resto de pudor e respeito ao leitor e se impor uma censura em relação ao assunto mesmo com a internet (bendita seja) divulgando-o, se tornando um sucesso de vendas e assunto muito comentado pelas pessoas. Não sou ingênuo, portanto não esperava uma cobertura intensa como seria a da Veja (só para exemplificar com a Geni do jornalismo) se o alvo fosse o PT, mas o comportamento foi tão explícito que ficou impossível disfarçar o objetivo de alienar as pessoas da informação, nesse caso de um livro lançado com denúncias contra um dos principais partidos brasileiros.
O "boicote" rompido por alguns jornalistas honestos e/ou profissionais em relação a esse assunto aos poucos está tendo a participação dos outros que se calaram, é o que eu acho, após ler a coluna do Merval Pereira no O Globo de ontem. Jornalista de um respeitado jornal, ele também rompeu o silêncio e não sei os outros leitores, mas, quando comecei a leitura tive a impressão de ser tratado como idiota, e talvez eu seja de comprar o jornal aos domingos e não ignora-lo como faço na maioria das vezes.
O escrito na coluna pode ser resumido como uma tentativa de justificativa para o comportamento da sua empresa e também uma desqualificação da obra e do escritor tratando o assunto como uma ficção além de criticar fortemente a imprensa independente que divulgou o assunto fartamente nos últimos dias.
Eu fecharia o jornal e aceitaria o lido mesmo discordando (esse jornalista é um daqueles que eu sempre discordo para manter minha consciência tranqüila) se essa forma de agir fosse em relação a todos os políticos, acontecimentos, denúncias, o que for. Não é e não me lembro de um dia ter sido nos últimos vinte anos. Tudo isso me leva a pensar que a casa não caiu apenas para partidos e políticos, para a grande imprensa também. Sem perceberem deram um passo em falso jogando no lixo mais um pouco da sua credibilidade. Em oitenta e nove a edição do Jornal Nacional mostra até hoje como são covardes e desonestos os poderosos, dois mil e onze pode ser o ano em que o livro escancarou novamente a podridão da oligarquia midiática desse país e suas tentativas de interferência na democracia brasileira.
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