A festa foi um sucesso, presentes foram distribuídos para as crianças, adultos se divertiram e ao final de tudo o salão ficou vazio. Já era noite, as famílias começavam a se reunir em suas casas para a comemoração particular de cada uma delas. Ao contrário do que pensava por anos, existia feliz natal na periferia, não era apenas tristeza e miséria, era simples é verdade, mas com calor humano. Era hora de voltar para a solidão do seu lar e foi em direção ao seu carro quando um casal conhecido a chamou e perguntou:
- Vai passar o natal com quem?
- Desde que minha filha morreu eu passo sozinha lá em casa.
- Lá em casa não tem o luxo que a senhora está acostumada, mas se quiser passar com a gente será muito bem recebida.
- Agradeço. Não quero atrapalhar.
- Vai fazer desfeita? Vamos lá, não passa, não passe o natal sozinha. Vem com a gente.
Sorriu e aceitou o convite, indo com eles para a pequena casa sem pintura e com poucos móveis. Em cima da mesa uma ceia simples, mas o mais importante estava presente. A tranqüilidade e o amor no lar, isso era algo que dava para sentir ao entrar. Os moradores tinham dito a verdade, não era o luxo a qual estava acostumada e isso não fez a menor importância. Os talheres de prata e os pratos de porcelanas eram lindos, mas eram apenas coisas materiais, enquanto ali o garfo e faca simples e um prato limpo e barato era servido com amor. Acostumou-se com toalhas de linho, mas não se importou nem um pouco com a toalha de pano forrada na mesa, as pessoas sentiam prazer pela sua presença, não por causa da sua posição social ou pela condição financeira, mas por ela e isso não tinha preço. Agradeceu a Deus em oração aquele momento proporcionado e pela lição aprendida, passou a noite com seus novos amigos, e pela primeira vez em muitos anos não se sentiu solitária na noite de natal.
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