segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Emboscada
Emboscada (I)
A confiança é o pior sentimento que se pode ter em relação ao ser humano, porque é uma raça filho da puta, se for do interesse dele te ferra sem pensar duas vezes ou qualquer remorso. Outro animal você sabe o que pode esperar já o bicho homem é sempre bom se prevenir mesmo quando não existe motivo para ele lhe atacar esse risco deve ser sempre levado a sério. Basta à perda de interesse ou vê-lo contrariado, uma mudança de planos, o que for não hesita em descartar você como um chinelo velho.
São muitos anos nas ruas, onde aprendi muito bem as suas leis e regras e por isso sempre me preveni para evitar problemas com os meus iguais e talvez por isso hoje tenha saído com vida daquele bar.
Nunca entrei ali seguro, mas confesso, confiava no meu contato e sempre achei que se um dia não quisesse mais fazer negócios iria me avisar e partir sem maiores estresses, afinal nunca foi pessoal o nosso acordo, somente um acerto conveniente a nós dois.
Mas esqueci de como age o homem e sua eterna mania de ser desonesto mesmo quando não é necessário, precisando apenas informar que estava indo embora e que eu procurasse outro contato preferiu me acertar para ter certeza de não me ver mais ali. Idiota, atirou e não me matou, fugi sem olhar para trás tendo a certeza de ter tido muita sorte em não ter sido atingido fatalmente.
Emboscada (II)
- Você não consegue ficar sem se meter em uma confusão né? (sorriso).
- Dessa vez, não tive culpa, foi uma cilada. Ao menos tinha tomado alguns cuidados.
- Eu não esperava que isso ocorresse, embora ele nunca tenha sido alguém digno de confiança plena. Surpreendo-me apenas de ter ido tão longe por nada, não oferecíamos a ele.
- Idiota, não precisava mais da gente e achou que me matando iria destruir qualquer risco de ter problemas mais adiante.
- Como foi?
- Cheguei lá como sempre, e senti algo estranho ao entrar. Meu alarme disparou, mas preferi pensar que era cisma minha. Então começaram a me provocar quando eu respondi mais asperamente, atiraram. Resumindo foi isso, não teve motivos, criaram um para poder me matar.
- Vou juntar alguns homens e vamos lá nos vingar.
- Não faça isso. Se para me acertarem foi preciso fazer dessa forma covarde, não vão nos enfrentar quando formos preparados. Aposto um real que irão fugir. Deixa quieto, um dia quem sabe.
- Por mim, teríamos ido ontem mesmo. Ferro a gente malha enquanto está quente e não estou com muita vontade de ficar relevando essas coisas.
- Não vamos gastar muitas velas com mau defunto, o prejuízo não foi tão grande assim. Apenas uns ferimentos superficiais que em uma semana sara, correr atrás disso é perder tempo. Como disse antes, gente covarde não enfrenta por isso agem na traição.
- Você é quem sabe, era um aliado seu, se quer deixar por menos então eu concordo.
- Não era aliado, poderia ter sido, mas bastou alguns meses para mostrar a verdadeira face. Não me matou e agora eu desejo que suas noites sejam atormentadas pelo medo de eu retornar e me vingar. Vida que segue.
- Vida que segue.
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