terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Encontro e Desencontro (Parte III)

                    Na Sala de Espera

   Sala de espera em um hospital, sempre famílias aflitas querendo saber notícias sobre os seus. Aquela não era diferente, a enfermeira foi em direção ao homem com um casal de jovens ao seu lado para dá as últimas informações e não se incomodou com a pergunta direta feita pelo homem mais velho:
 
  - Como ela está?
 
  - Segundo o médico, o pior já passou. Ele vai vir aqui conversar com vocês, agora está em uma emergência. Pediu para informar que acredita na recuperação plena dela.
 
  - Graças a Deus.
 
  - Seria arriscado transferi-la, como isso não vai mais ocorrer, acho que vocês podem se preocupar menos.
 
  - Transferida? Para onde? Por quê?

  - Ela chegou aqui em estado grave e foi atendida, mas o plano de saúde dela não cobre o atendimento que seria feito posteriormente, sendo assim as opções eram que vocês da família providenciassem uma garantia bancária ou a transferência, como essa parte está resolvida, então a preocupação pode ser menor.
 
  - Mas a gente não sabia disso. Não fizemos pagamento nenhum como está resolvido? Está ocorrendo um equívoco.
 
  - Eu recomendo que procurem a recepção, o que eu sei é isso.


                               O Desconhecido

 - Boa tarde, nós gostaríamos de algumas informações a respeito da paciente Aisha Cerqueira.
 
  - Boa tarde. Quais informações?

  - Fomos informados sobre uma possível transferência que não será mais preciso. Pode nos dá maiores detalhes sobre isso?

  - Claro, você é da família?

  - Sou o marido.

 - Ah sim. O plano de saúde dela não cobria todo o tratamento, então era necessário uma garantia financeira ou a transferência para um hospital público, mas não será mais preciso o amigo de vocês já resolveu a situação.

 - Amigo? Que amigo você está falando? Nenhum amigo nosso esteve aqui no hospital até agora.

 - Ué? Estranho. Esteve um homem na recepção e pediu para visitá-la, quando soube que as visitas estavam proibidas pediu para ve-la através do vidro se dizendo um amigo íntimo da família. Somente por isso nós deixamos.


                             O Bilhete

  - Voce é a enfermeira que está cuidando da minha mulher não é mesmo?

 - Sim, em que posso ajudar?

 - Na terça você lembra-se de alguém ter se identificado como amigo da nossa família e pedido para ve-la?

 - Sim, lembro. Era calado, não queria muita conversa. Ficou olhando pelo vidro um tempo, depois escreveu um bilhete em um cartão e pediu para eu entregá-la quando acordasse.

 - Só isso?

- Também perguntou sobre o estado de saúde e eu comentei que talvez fosse transferida o que não era recomendável nessa situação. Ele perguntou por que e pediu licença, depois retornou, conversou com o médico algumas palavras e não apareceu mais.

 - Como ele era?

 - Médio, loiro, com olhos castanhos e um jeito baixo de falar. Não era de muita conversa, falava o mínimo. Não falou o nome também, só disse ser um velho amigo de vocês.

 - E esse bilhete? Cadê?

 - Quando sua mulher acordou entreguei o bilhete, ela leu e guardou entre seus pertences antes de voltar a dormir.

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