Na Sala de Espera
Sala de espera em um hospital, sempre famílias aflitas querendo saber notícias sobre os seus. Aquela não era diferente, a enfermeira foi em direção ao homem com um casal de jovens ao seu lado para dá as últimas informações e não se incomodou com a pergunta direta feita pelo homem mais velho:
- Como ela está?
- Segundo o médico, o pior já passou. Ele vai vir aqui conversar com vocês, agora está em uma emergência. Pediu para informar que acredita na recuperação plena dela.
- Graças a Deus.
- Seria arriscado transferi-la, como isso não vai mais ocorrer, acho que vocês podem se preocupar menos.
- Transferida? Para onde? Por quê?
- Ela chegou aqui em estado grave e foi atendida, mas o plano de saúde dela não cobre o atendimento que seria feito posteriormente, sendo assim as opções eram que vocês da família providenciassem uma garantia bancária ou a transferência, como essa parte está resolvida, então a preocupação pode ser menor.
- Mas a gente não sabia disso. Não fizemos pagamento nenhum como está resolvido? Está ocorrendo um equívoco.
- Eu recomendo que procurem a recepção, o que eu sei é isso.
O Desconhecido
- Boa tarde, nós gostaríamos de algumas informações a respeito da paciente Aisha Cerqueira.
- Boa tarde. Quais informações?
- Fomos informados sobre uma possível transferência que não será mais preciso. Pode nos dá maiores detalhes sobre isso?
- Claro, você é da família?
- Sou o marido.
- Ah sim. O plano de saúde dela não cobria todo o tratamento, então era necessário uma garantia financeira ou a transferência para um hospital público, mas não será mais preciso o amigo de vocês já resolveu a situação.
- Amigo? Que amigo você está falando? Nenhum amigo nosso esteve aqui no hospital até agora.
- Ué? Estranho. Esteve um homem na recepção e pediu para visitá-la, quando soube que as visitas estavam proibidas pediu para ve-la através do vidro se dizendo um amigo íntimo da família. Somente por isso nós deixamos.
O Bilhete
- Voce é a enfermeira que está cuidando da minha mulher não é mesmo?
- Sim, em que posso ajudar?
- Na terça você lembra-se de alguém ter se identificado como amigo da nossa família e pedido para ve-la?
- Sim, lembro. Era calado, não queria muita conversa. Ficou olhando pelo vidro um tempo, depois escreveu um bilhete em um cartão e pediu para eu entregá-la quando acordasse.
- Só isso?
- Também perguntou sobre o estado de saúde e eu comentei que talvez fosse transferida o que não era recomendável nessa situação. Ele perguntou por que e pediu licença, depois retornou, conversou com o médico algumas palavras e não apareceu mais.
- Como ele era?
- Médio, loiro, com olhos castanhos e um jeito baixo de falar. Não era de muita conversa, falava o mínimo. Não falou o nome também, só disse ser um velho amigo de vocês.
- E esse bilhete? Cadê?
- Quando sua mulher acordou entreguei o bilhete, ela leu e guardou entre seus pertences antes de voltar a dormir.
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