A Dívida
- Boa noite, a paciente do quarto 314 está em débito com esse hospital. Pretendo quitar a dívida dele e me enviaram para cá. Podem me ajudar?
- Pois não senhor. Sente-se, por favor.
Uma sala de hospital parecendo mais uma financeira, tratando de dívidas, quantias, como não estivesse envolvendo uma vida. Respondi as perguntas automaticamente para uma funcionária agradável que não escondia a frieza tratando tudo como se fosse um negócio qualquer. Fizemos o acerto, a quantia devida foi paga e saí de lá agradecendo a Deus ter chegado antes de ser tarde. Retornei ao quarto e fiquei olhando pelo vidro a mulher deitada na cama, à mesma pessoa que eu nunca deixei de amar. Aproveitando a presença do médico me identifiquei mais uma vez como um amigo da família e pedi informações sobre o seu estado de saúde.
O Estranho
- Ela está bem?
- Sim, mas o ideal é que não fosse transferida.
- Não será. A parte financeira já foi resolvida.
- Que bom. Ficando com a gente aumenta em noventa por cento as chances de recuperação plena.
- Fico feliz, em saber disso.
- Preciso ir o senhor precisa de mais alguma informação?
- Não doutor. Obrigado pela sua gentileza.
- Tchau, fique bem.
Despedida
Olhei por alguns momentos a paciente através do vidro, cada minuto sendo aproveitado comigo tendo a certeza de ser o último. Estava casada, com filhos e uma família, não tinha o direito de anos depois destruir o construído por ela para tentar reconstruir o que eu larguei para trás.
Fui andando pelo corredor sem olhar para trás, há muitos anos atrás tinha feito a minha escolha e me restava conviver com ela até o final da vida.
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