Quando o meu reino (o do norte) e o reino do sul firmaram uma aliança a "ponte da amizade" unindo os dois países foi construída para celebrar essa união entre as duas nações e ela foi usada pelos habitantes dos dois lados sem maiores problemas. O pacto entre os dois povos permaneceu por muito tempo até que as relações diplomáticas foram cortadas e a ponte fechada por tempo indeterminado.
O livre trânsito de outrora passou a não mais existir sendo proibida a entrada de pessoas vindas do sul e para garantir o cumprimento dessa determinação essa área foi militarizada, o tempo foi passando e aos poucos o lugar foi ficando abandonado com cada vez menos pessoas no posto militar.
No começo para evitar problemas, tínhamos vários soldados, mas alguns morreram em escaramuças na fronteira outros foram chamados de volta ou deram baixa, um triste dia percebi que somente eu permanecia, era a presença do estado ali e fiquei aqui até hoje quando o comandante em pessoa veio me buscar.
- É hora de ir. Acabou. Não existem mais motivos para você ficar aqui.
Com essa frase meu comandante deu a noticia de que eu deveria sair do posto guardado por mim até agora. Durante longos meses, eu velei por essa ponte, olhando quase ininterruptamente para o outro lado, esperando o retorno de dias melhores, até hoje quando Kaio em pessoa veio me buscar:
- Eu não mereço tanta honra de sair daqui com você ao meu lado, comandante.
- Sua bravura não poderia ser tratada de outra forma, soldado. Permanecestes aqui mesmo quando todos foram embora servindo ao seu país. Você foi um bravo.
Eu fui o último a permanecer, pensei em pedir para sair, mas cumpri meu dever até o fim. No fundo do meu coração acalentava a esperança de vê isso aqui fervilhando de soldados, com pessoas rindo e cantando como era antigamente. Hoje em dia só tem casas destruídas, cruzes em alguns lugares, nada mais resta de importante além do posto militar e dessa ponte guardada por mim até agora, mas até eles serão destruídos, não tenho mais o que fazer aqui. Como disse Kaio, é hora de ir embora para outro lugar e lá viver a minha vida.
- Descobrimos outras terras, lá tem paz, você com sua experiência pode ir para lá nos ajudar. Sempre tem lugar para bons soldados iguais a você.
Penso nessa possibilidade, mais logo a descarto. Aqui acaba minha história no exército, é hora de paz para minha alma. Não quero mais lutas, hoje essas terras novas estão em paz, mas e amanhã? Bem sei a qualquer momento a defesa pode se fazer necessária e as armas serem novamente empunhadas como ocorreu outras vezes em diversas ocasiões.
Começo a juntar meus pertences, são poucos, de uns tempos para cá recebia o suficiente para subsistir, trazido pela esperança do rei de um dia ter esse território como era antes. Eu aceitava de bom grado, e compartilhava com o mensageiro, como ia receber as pessoas quando essa ponte fosse de novo usada. Então fazíamos planos, sonhávamos, ele retornava e eu permanecia aqui, incólume, esperando o grande momento.
Começo a juntar meus pertences, são poucos, de uns tempos para cá recebia o suficiente para subsistir, trazido pela esperança do rei de um dia ter esse território como era antes. Eu aceitava de bom grado, e compartilhava com o mensageiro, como ia receber as pessoas quando essa ponte fosse de novo usada. Então fazíamos planos, sonhávamos, ele retornava e eu permanecia aqui, incólume, esperando o grande momento.
Um após um, os soldados foram indo, alguns desistiram, outros foram deslocados, tem alguns que ficaram nessa terra, mortos como herói, quando me dei conta só restava eu, e sozinho permaneci nos últimos meses.
Agora tudo acabou, não resta mais nada, o rei ordenou a retirada levando embora a última presença do reino aqui e o serviço irá se completar com a destruição total das construções.
Agora tudo acabou, não resta mais nada, o rei ordenou a retirada levando embora a última presença do reino aqui e o serviço irá se completar com a destruição total das construções.
Um carro me espera e vou até ele com os soldados me escoltando, olho para trás e me volto em direção a Kaio. Quem sabe a ponte seja um dia reconstruída, volte a ser usada, pergunto, com um fio de esperança. Recebo como resposta ser algo impossível, não há volta para aquele lugar o exército não retorna nunca mais, a gente vai embora para nunca mais voltar, é essa a decisão tomada e não será mudada.
Para um pouco, respiro, agradeço a Deus, por ter lutado com honra, e sigoem frente. Entro dentro do carro, lagrimas caem, não me importo de esconder, são lagrimas de quem nos últimos meses, suportou tudo, acreditou em uma causa, lutou por ela até o último instante e não se rende. São lagrimas de desilusão, desabafo, alívio. Lágrimas de um último guerreiro partindo do campo de batalha sem a vitória e com a certeza de ter lutado o bom combate.
Para um pouco, respiro, agradeço a Deus, por ter lutado com honra, e sigo
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