terça-feira, 19 de junho de 2012

O Bruxo (II)

Não obstante o país está sempre em guerras, às batalhas não afetavam muito a cidade, pois não ficava em posição estratégica e ficava distante da capital e assim as historias de  lutas eram conhecidas apenas pelos relatos de quem chegava de lá ou estava de passagem para outro lugar. Quando as notícias chegavam informando a situação todos se preparavam para os tempos difíceis, mas não se preocupavam com a defesa da cidade, pois ela nunca era atacada, não havia com o que se preocupar.
Talvez por isso ou quem sabe por nunca ter sido parte realmente da cidade quando o estrangeiro correu para o centro, acionou o sino de emergência chamando a todos para escutá-lo, gritou que seriam atacados e todos deveriam se preparar, uns riram, outros pensaram ter ele enlouquecido de vez. Não adiantava os brados advertindo para a população se preparar para dias difíceis onde o sangue iria  manchar as ruas, ninguém deu atenção, afinal, guerras eram feitas longe e não havia nenhum motivo para se preocuparem. Dias se passaram e nas raras vezes que respondeu alguém o estrangeiro apenas falava para se prepararem para dias difíceis onde todos teriam que defender a cidade.
As previsões já não eram lembradas quando um dia um viajante chegou à cidade anunciando que o reino havia sido invadido e o rei estava sitiado. Tinham sido pego de surpresa pela traição de um país aliado e esse se aproveitando de uma facilidade concedida havia invadido por terra o país e chegado sem muita dificuldade a capital. Não podendo tomá-la de assalto tinham decidido sitiá-la até a rendição. Ainda segundo o mensageiro, o exercito inimigo vinha conquistando as pequenas cidades para tentando assim controlar toda nação quando o rei cercado se rendesse e aquela cidade seria a próxima, a opção era aceitar o domínio ou lutarem pela liberdade.
O pânico tomou conta de alguns e a coragem de outros, enquanto alguns choravam outros sem temor diziam estar preparados para lutar. Em polvorosa os cidadãos se reuniram e o governador escutando o povo decidiu resistir. Político experiente preferia uma dominação sem violência, mas sabia que ir contra a população era o pior a fazer. Formou-se um exercito entre os capacitados com hierarquia militar, armas foram tiradas dos armários, baús ou onde estivessem guardadas e esperaram o ataque.
Não se sabe quem, mas lembraram, aquele estranho homem da casa mal assombrada tinha previsto toda essa situação, ele de alguma forma sabia e tinha tentado avisar e por causa disso foram até sua casa. Não entraram, sendo recebidos na porta e quando comentaram a previsão receberam como resposta um arrogante "eu avisei" complementado com "se preparem, terá muitas mortes”.

(Continua)

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