Não
obstante o país está sempre em guerras, às batalhas não afetavam muito a
cidade, pois não ficava em posição estratégica e ficava distante da capital e
assim as historias de lutas eram
conhecidas apenas pelos relatos de quem chegava de lá ou estava de passagem
para outro lugar. Quando as notícias chegavam informando a situação todos se
preparavam para os tempos difíceis, mas não se preocupavam com a defesa da
cidade, pois ela nunca era atacada, não havia com o que se preocupar.
Talvez
por isso ou quem sabe por nunca ter sido parte realmente da cidade quando o
estrangeiro correu para o centro, acionou o sino de emergência chamando a todos
para escutá-lo, gritou que seriam atacados e todos deveriam se preparar, uns
riram, outros pensaram ter ele enlouquecido de vez. Não adiantava os brados
advertindo para a população se preparar para dias difíceis onde o sangue
iria manchar as ruas, ninguém deu
atenção, afinal, guerras eram feitas longe e não havia nenhum motivo para se
preocuparem. Dias se passaram e nas raras vezes que respondeu alguém o estrangeiro
apenas falava para se prepararem para dias difíceis onde todos teriam que
defender a cidade.
As
previsões já não eram lembradas quando um dia um viajante chegou à cidade
anunciando que o reino havia sido invadido e o rei estava sitiado. Tinham sido
pego de surpresa pela traição de um país aliado e esse se aproveitando de uma
facilidade concedida havia invadido por terra o país e chegado sem muita
dificuldade a capital. Não podendo tomá-la de assalto tinham decidido sitiá-la
até a rendição. Ainda segundo o mensageiro, o exercito inimigo vinha
conquistando as pequenas cidades para tentando assim controlar toda nação
quando o rei cercado se rendesse e aquela cidade seria a próxima, a opção era
aceitar o domínio ou lutarem pela liberdade.
O
pânico tomou conta de alguns e a coragem de outros, enquanto alguns choravam
outros sem temor diziam estar preparados para lutar. Em polvorosa os cidadãos
se reuniram e o governador escutando o povo decidiu resistir. Político
experiente preferia uma dominação sem violência, mas sabia que ir contra a população
era o pior a fazer. Formou-se um exercito entre os capacitados com hierarquia
militar, armas foram tiradas dos armários, baús ou onde estivessem guardadas e
esperaram o ataque.
Não
se sabe quem, mas lembraram, aquele estranho homem da casa mal assombrada tinha
previsto toda essa situação, ele de alguma forma sabia e tinha tentado avisar e
por causa disso foram até sua casa. Não entraram, sendo recebidos na porta e
quando comentaram a previsão receberam como resposta um arrogante "eu avisei"
complementado com "se preparem, terá muitas mortes”.
(Continua)
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