domingo, 24 de junho de 2012

O Bruxo (IV)


- Eu tentei avisar e vocês não escutaram, agora resta apenas à defesa da cidade, pois ao amanhecer eles estarão aqui, tenham certeza disso. Também lutarei e se eu for derrotado, o destino da cidade estará selado, infelizmente e se eu vencer a luta com meu inimigo, vocês também podem vencer. A luta é de todos nós, não é hora de diferenças e desconfianças, deixo de ser estrangeiro aqui e passo a fazer parte da cidade.
 Falava e olhava a um por um nos olhos enquanto alguns deles não sustentavam o olhar, sentiam vergonha, medo do que estava por vir, muitos pensavam em tentar uma fuga desesperada enquanto outros estavam dispostos a lutar.
Despediu-se das pessoas, reiterando o aviso, ao amanhecer, chegariam às tropas inimigas, deveriam se preparar. Quando todos saíram sentou-se em um canto da casa e começou a se concentrar, falando algumas palavras até entrar em transe, depois de um tempo sentiu seu espírito sair do corpo e ir para o plano astral e se preocupou em manter o vínculo entro o corpo e alma. Agora restava esperar o encontro com seu inimigo, pois não era um covarde, pretendia anunciar a sua presença para não carregar nunca a marca de um ataque traiçoeiro.
Encontrou quem procurava e não sentiu temor, sorriu ironicamente e disse que estava ali, não precisava mais procurar e recebeu de volta um ataque violento começando assim a luta tão esperada pelos dois em muito tempo. Enquanto lutavam no campo espiritual, conforme previsto  a cidade era atacada violentamente, os habitantes tentavam se defender de todas as formas e foi assim por longos dias e noites.
Uma batalha feroz era travada em cada lugar da cidade, as pessoas lutavam pelas suas casas, vidas, amores, dignidade, mesmo estando em desvantagem numérica e de equipamentos, a resistência foi se prolongando durante dias e a pequena cidade, ia resistindo bravamente.

(continua)

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