sábado, 22 de dezembro de 2012

O Pastor (I)


Sentado em uma pedra tendo como teto o céu, olhando as  estrelas Samuel pensava sobre o que tinha ocorrido. Sua vontade era, quando amanhecesse, contar para todos que passassem por ele, mas sabia que ninguém iria acreditar. Ora, era apenas um pastor de ovelhas, profissão destinada a pessoas simples, quem iria acreditar que ele tinha visto um anjo,pensou consigo, seria taxado de maluco ou herege, ninguém iria acreditar. Preferiu ficar quieto e guardar para si.
 Tudo começara com o primeiro sonho, um anjo apareceu e disse que por ser uma pessoa justa, Deus lhe daria uma grande honra. Acordou assustado naquela madrugada e não conseguiu dormir mais. Visões, presságios, profecias só ocorriam com pessoas que se distinguiam de alguma forma, era assim nas sinagogas com os doutores, nos templos da cidade, sabia que iam rir da sua cara, por se considerar tão especial para um anjo aparecer, calou-se, não queria passar por mentiroso.
Quinze dias depois novamente sonhou com o anjo, estava a sua frente, tomava coragem e perguntava "porque eu?", o ser de luz sorriu e falou que havia feito por merecer. Feito pro merecer? Ora, ele não tinha feito nada para merecer honras, não era um sábio para pregar a palavra de Deus, não tinha riquezas para caridades, suas ofertas eram menores do que a maioria prezava a justiça, tentava sempre ser correto no que fazia, era incapaz de trapacear para obter vantagens, respeitava qualquer ser vivo, mas não era especial e sim mais um naquele lugar.
Na última madrugada, enquanto acendia a fogueira para se esquentar, o anjo apareceu igual no seu sonho, tinha um sorriso singelo, irradiava luz, seus olhos expressavam amor, diante do pastor assustado, falou que o momento havia chegado se preparasse e quando visse uma estrela cadente a seguisse até uma estrebaria e chegando nela entrasse sem medo.
Fez conforme ordenado, a sua frente estava um casal com uma criança no colo, animais e outros pastores estavam ao lado, junto a anjos, entre eles o que tinha lhe aparecido. O nome da criança esquecera de perguntar, deixara sua manta para esquentá-lo e soube apenas ser um homem importante, segundo dissera a legião presente ali.
Era nisso que pensava, enquanto a madruga ia embora dando lugar ao dia, quem era aquele bebê e seus pais? Poderia ser um príncipe, mas eles eram  nascidos e criados em palácios. Talvez aquele casal fosse de comerciantes ricos, mas porque a estrebaria, porque alguém rico deixaria nascer seu filho em um lugar tão simples? Recriminava-se agora por não ter feito essas perguntas e tinha a esperança de sonhar novamente com o mensageiro de Deus para tirar suas dúvidas, afinal, era humano e por isso a curiosidade estava lhe afetando.

Continua

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