domingo, 30 de dezembro de 2012

Túnel Do Tempo


Vinha pelo túnel do tempo, devagar, sentindo seus últimos momentos, com  aquela velocidade de quem sabe, já está chegando ao final, não precisa mais correr. No meio do caminho, percebeu um carro vindo na direção contrária á sua, em alta velocidade e parando ao seu lado com um ar jovial perguntou:

- Como está lá? Já estou chegando.

Sorriu. Pensou em dizer como tinha sido difícil algumas vezes, outras tinham sido momentos de superação. Pensou em ser otimista e falar que tudo daria certo, mais bem sabia que as primeiras decepções já aconteciam na chegada.
Quando um dia fez aquele percurso de ida, ao chegar se surpreendeu que muitos tinham lhe recebido com indiferença ou tristeza. Tinha sido a sua primeira decepção logo suplantada pela alegria de outros que saudando festivamente a sua chegada.
Durante doze meses tinha acontecido tanta coisa, alguns dias iam ser lembrados por anos, quem sabe décadas, a maioria iria ser apenas mais um, esquecido em m canto sem nunca ser lembrado por ninguém.
Durante seu tempo, algumas pessoas queridas se foram, não tinha gostado disso, sabia que iria ser sempre lembrado por isso, mais também da mesma forma seria lembrado por momentos belos, inesquecíveis na mente de muitos, era a lei do tempo, uns indo e outros chegando, assim como ele agora diante do seu sucessor, com o mesmo sorriso dele quando chegava e outro partia. Teve a esperança de ter deixado saudades em alguém, quem sabe durante décadas seria lembrado por um momento especial, um time campeão, um filho nascendo, a conclusão de um curso, não precisava ser algo grandioso, queria apenas ser lembrado.
Quis dizer tudo isso a quem lhe havia perguntado e aguardava ansiosamente a sua resposta, mas, preferiu se calar. Cada um tem sua historia, não sabia o que o destino reservava para o seu interlocutor, ele iria descobrir, com certeza. Apenas falou:

 -Todos lhe esperam, minha historia acabou, a sua está só começando, faça-a valer a pena.
Ao escutar sua resposta, o recém chegado acelerou e saiu célere, sem se despedir, deixando-o para trás, olhando pelo retrovisor, vendo o carro em velocidade, ansioso. Lembrou-se que também tinha feito aquilo um dia, sorriu, enxugou uma lágrima que teimava em cair e reiniciou sua viagem de volta com a sensação de dever cumprido.
Enquanto dois mil e doze ficava para trás, dois mil e treze ia chegando com a força e a esperança da novidade.

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