O caminho entre a igreja e a minha casa não era
longo, mas foi se tornando enorme conforme eu ia passando pelas casas e sentia a
tristeza pairando no ar. Lembro-me de um bar onde sempre tinha gente bebendo e
conversando alto, estava vazio, o silêncio da rua foi me dando à certeza de que
algo estava muito errado, não havia sido somente um acidente como tantos outros, tinha sido algo sério, com passos rápidos eu entrei em casa e minha mãe foi avisando o
que tinha ocorrido.
O acidente tinha sido grave, Senna tinha sido
socorrido e esperavam notícias em frente à televisão. Foi o que eu também fiz,
fiquei esperando notícias boas e, no entanto conforme o tempo passava minhas
esperanças iam se esvaindo.
Ainda lembro-me do plantão, do Roberto Cabrini e
eu desabando em um choro incontrolável.
Passaram vinte anos e se um dia eu o fiz já não
coloco o Senna em um pedestal, vejo seus defeitos, aceito várias críticas que
fazem ao piloto. Também deixei de me irritar com quem usa outros pilotos para
afrontar os seus fãs, ainda me irrito é verdade com quem infantilmente acha que
foi a rede Globo que o fabricou ou tenta desesperadamente minimizar seus feitos,
mas compreendo, deve ser difícil para esses conviver com um mito que eles não
simpatizam.
Já faz vinte anos, tanta coisa mudou na minha vida, já
perdi tanta gente e tanta coisa e, no entanto ainda continuo me emocionando
como naquele primeiro de maio.
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